Motoristas de aplicativo e taxistas que hoje desembolsam entre R$ 4 mil e R$ 6 mil por mês para alugar um carro poderão trocar o aluguel por um financiamento próprio com prestações a partir de R$ 2,5 mil, praticamente metade do custo atual. Essa é a aposta do governo federal com o Move Aplicativos, programa de R$ 30 bilhões que teve as regras aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) nesta quarta-feira (20).
A linha de crédito, operada pelo BNDES em parceria com bancos privados, permite financiar carros novos de até R$ 150 mil em 72 meses, com seis meses de carência para a primeira parcela. A novidade mais chamativa: mulheres motoristas pagam juros menores de 1,5% ao ano sobre os recursos do governo, contra 2,5% para os homens e ainda podem incluir equipamentos de segurança no financiamento.
Na prática, um veículo de R$ 100 mil financiado pelo programa sai com parcelas em torno de R$ 2,5 mil. Quem optar por um carro de R$ 149 mil pagará aproximadamente R$ 3.850 mensais, contra R$ 6 mil de locação no mercado atual, segundo contas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Quem pode participar
O programa é voltado a três grupos: motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos um ano e mínimo de 100 corridas no período na mesma plataforma; taxistas registrados, ativos e com regularidade fiscal; e cooperativas de táxi. A estimativa do governo é que cerca de 1,4 milhão de trabalhadores tenham acesso à linha de crédito.
Para motoristas de aplicativo, a comprovação do tempo de serviço será feita pelas próprias plataformas, que repassarão os cadastros ao governo. “As empresas de aplicativos vão nos passar o cadastro e demonstrar que esse motorista trabalhou pelo menos um ano e que ele fez pelo menos 100 corridas”, explicou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Taxas reduzidas e diferença para mulheres
O CMN definiu uma taxa básica de 2,5% ao ano sobre os recursos do governo para os beneficiários em geral. Para mulheres motoristas, a taxa cai para 1,5% ao ano — diferença que o governo justifica como incentivo à participação feminina no setor e que também permitirá incluir equipamentos de segurança no financiamento. Sobre essa taxa básica, os bancos poderão cobrar até 8,5% ao ano de remuneração adicional, e o BNDES, até 1,25% ao ano pela administração do programa.
Na prática, o crédito total ao tomador soma essas três parcelas. Ainda assim, o governo projeta parcelas bem abaixo do que os motoristas pagam hoje com aluguéis de veículos. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, deu como exemplo um financiamento de R$ 100 mil: a parcela estimada é de cerca de R$ 2,5 mil em 72 meses, contra R$ 4,2 mil de locação. Já para um veículo de R$ 149 mil, a prestação ficaria em torno de R$ 3.850, metade dos cerca de R$ 6 mil desembolsados com aluguel.
Carros de até R$ 150 mil e prazo de 6 anos
O valor máximo financiado por veículo é de R$ 150 mil. Os carros precisam ser de montadoras habilitadas no programa e classificados como sustentáveis — podem ser flex, elétricos, híbridos ou movidos exclusivamente a etanol. O prazo máximo de pagamento é de 72 meses (seis anos), com carência de até seis meses para o pagamento da primeira parcela.
O financiamento também permite incluir seguro do veículo, seguro prestamista, equipamentos de segurança e itens de proteção para mulheres motoristas — tudo isso limitado a 10% do valor do automóvel.
“Um carro que custa R$ 143 mil, financiado em 72 meses, vai permitir que vocês paguem R$ 3 mil de financiamento. Muitas vezes um companheiro que trabalha de Uber prefere alugar o carro porque a manutenção é muito cara. Mas com o carro novo, a manutenção vai ser mais rara. E o que vai acontecer é que você estará pagando metade do que você pagava e com um patrimônio que será seu”, disse Lula durante o lançamento.
Move Brasil e o contexto econômico
O Move Aplicativos é um braço do programa Move Brasil, lançado pelo governo como política de renovação da frota de veículos e estímulo à indústria automotiva. Segundo o governo, a medida busca reduzir os impactos do aumento recente dos custos do setor de transporte, agravado pelas tensões internacionais e pela alta dos combustíveis após conflitos no Oriente Médio.
A expectativa oficial é que o programa movimente ao menos 200 mil vendas de veículos zero-quilômetro, acelerando a renovação da frota nacional com carros menos poluentes e mais eficientes.
Além do crédito para motoristas de quatro rodas, Lula também assinou uma MP que reduz exigências para mototaxistas e motoboys, eliminando a obrigatoriedade de curso específico de motofrete, placa vermelha e idade mínima de 20 anos para atuar na categoria.
Como e quando solicitar
O cadastro para motoristas interessados já pode ser feito pelo site gov.br/movebrasil. A análise de elegibilidade leva até cinco dias úteis. A partir do dia 18 de junho, quem tiver a participação confirmada poderá procurar concessionárias e instituições financeiras credenciadas para análise de crédito. Os financiamentos começam a valer oficialmente em 19 de junho.
Foto – © Rovena Rosa/Agência Brasil







