quarta-feira, 10 de junho de 2026

90 anos do IBGE: MS e Centro-Oeste são protagonistas na reconfiguração do Brasil

Ao longo deste segundo quarto do século, o Brasil vivenciará uma profunda transformação territorial, econômica e demográfica e, nesse processo, Mato Grosso do Sul e os demais estados do Centro-Oeste terão papel de protagonistas. A análise foi feita na tarde desta quarta-feira (10) pelo presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann, durante audiência pública realizada no plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS). “Estamos vivendo uma marcha para o Oeste”, resumiu.

Deputado Roberto Hashioka foi o propositor da audiência pública

Intitulada “Retratos de uma Nação em Movimento: identidade brasileira e a singularidade de Mato Grosso do Sul sob a lupa de 90 anos do IBGE”, a audiência pública foi proposta pelo deputado Roberto Hashioka (Republicanos) atendendo à solicitação do Instituto. O encontro reuniu autoridades, pesquisadores, representantes de instituições públicas e a sociedade civil para discutir a importância das informações produzidas pelo IBGE na compreensão das transformações do país e no planejamento de políticas públicas.

Para Hashioka, o IBGE tem papel fundamental no planejamento de ações necessárias para o desenvolvimento do Brasil e de Mato Grosso do Sul. Essa contribuição do Instituto ao longo de nove décadas justifica o tema da audiência, que relaciona identidade e singularidade ao trabalho de levantamento e organização de informações feito pelo IBGE. “Essa audiência é uma oportunidade de percebermos como as informações produzidas pelo Instituto ao longo de nove décadas ajudam a revelar as transformações da sociedade brasileira, suas diversidades regionais e os traços que compõem nossa identidade nacional”, disse.

O parlamentar acrescentou que a discussão também permite compreender os elementos que tornam Mato Grosso do Sul um estado singular, “marcado pela riqueza cultural, diversidade de seu povo, força econômica e posição estratégica no cenário nacional”. Hashioka ressaltou ainda a relevância do IBGE, consolidado em 90 anos de histórica como referência na produção de dados estatísticos, geográficos, cartográficos e socioeconômicos. “Ao longo de sua história, tornou-se uma referência nacional na geração de informações que ajudam a compreender o Brasil e a orientar o seu desenvolvimento”, afirmou.

Protagonismo do interior

Roberto Pochmann analisou transformações do país 

De 2025 a 2050, isto é, o segundo quarto do século XXI, o Brasil passa (e tende a continuar nessa trajetória) uma nova fase de reorganização populacional e econômica, marcada pelo crescimento de municípios do interior e pela perda de dinamismo das áreas litorâneas, conforme análise do presidente do IBGE. Pochmann analisou que, durante cerca de cinco séculos, o país concentrou sua população e atividades econômicas próximas ao litoral do Oceano Atlântico e que, agora, por uma transformação que pode reposicionar o Centro-Oeste e o Norte como regiões estratégicas para o desenvolvimento nacional.

Ao analisar os dados do Censo Demográfico de 2022, Pochmann destaca que as cidades que mais ampliam suas populações estão no interior e possuem, em geral, entre 100 mil e 500 mil habitantes. Em contraste, grandes centros urbanos e capitais das regiões litorâneas enfrentam cenários de estagnação ou até de redução populacional. Para o presidente do IBGE, esse movimento está associado ao fortalecimento de municípios ligados à produção primária exportadora, como a agropecuária e a mineração.

Marcha para o Oeste e integração sul-americana

Pochmann define essa mudança como uma espécie de “marcha para o Oeste brasileiro”, em referência ao avanço do dinamismo econômico e demográfico em direção ao interior do país. Nesse cenário, Mato Grosso do Sul surge como um dos protagonistas dessa reconfiguração, especialmente pela sua posição estratégica na integração sul-americana e pela consolidação da Rota Bioceânica, que amplia as conexões comerciais com os países vizinhos e com os mercados voltados ao Oceano Pacífico.

“Eu até ousaria dizer que estamos vivendo uma espécie de marcha para o oeste brasileiro e, com a consolidação das rotas de integração sul-americana, que viabilizam a saída da produção e também o ingresso de produtos importados através do Pacífico, , possivelmente o segundo quarto deste século terá um protagonismo dos estados do Centro-Oeste e do Norte”, resumiu o presidente do IBGE.

Audiência

Além do deputado Roberto Hashioka e de Marcio Pochmann, compuseram a mesa de autoridades o superintendente estadual do IBGE em Mato Grosso do Sul, Mário Alexandre de Pinna Frazeto; o coordenador do Núcleo da Fazenda Pública, Moradia e Direitos Sociais (NUFAMD), Danilo Hamano Silveira Campos; o secretário executivo de Gestão Estratégica e Municipalismo da Segov-MS, Thaner Castro Nogueira; o gerente de Tecnologia da Informação da Planurb, Estevão Risso Campelo; e a chefe de gabinete da Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab), Juliana Paracampos.

Hashioka presentou Pochmann com quadro de Isaac de Oliveira

Os participantes da audiência puderam prestigiar a apresentação do Coral da Universidade Aberta da Pessoa Idosa (UnAPI) da UFMS. O grupo interpretou as músicas “Chalana”, “Tocando em Frente” e “Trem do Pantanal”. Também foi exibido um vídeo institucional em homenagem aos 90 anos do IBGE e à contribuição do órgão para o desenvolvimento do país. Por meio de outro vídeo, “O fio invisível que nos une”, foram reconhecidos os serviços prestados pelo IBGE em Mato Grosso do Sul.

Como forma de agradecimento, o deputado Hashioka entregou a Marcio Pochmann uma gravura do artista sul-mato-grossense Isaac de Oliveira.

Confira no vídeo abaixo a audiência na íntegra.


Fonte: Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul – ALEMS

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