O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil, em Campo Grande, e foi preso nesta quinta-feira (24), horas depois de equipes do Gaeco não o encontrarem em casa durante a Operação Infiltrados. Ele é alvo de prisão preventiva na investigação que apura a participação de agentes de segurança pública em um esquema de desvio de drogas apreendidas e posterior repasse ao tráfico.
A defesa confirmou a apresentação e informou que pretende pedir a revogação da prisão. “Na segunda-feira vamos entrar com o pedido de revogação da prisão”, afirmou o advogado Amilton Ferreira de Almeida. Segundo a defesa, Hoffman está surpreso com a operação e aguarda acesso aos detalhes da investigação.
Hoffman foi delegado da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) entre 2019 e fevereiro deste ano. Também comandou o Garras antes de ser transferido para outra unidade da Polícia Civil. A trajetória na área de combate ao tráfico é um dos pontos que chamam atenção na investigação.
A Operação Infiltrados foi deflagrada pelo Gaeco em Campo Grande, Dourados e Terenos, com 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão. Até o balanço divulgado pelo Ministério Público, 12 agentes de segurança já haviam sido presos: nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal.
Segundo o MPMS, as investigações começaram em outubro de 2025, a partir de elementos encontrados nas operações Traquetos e Blindspot. A suspeita é de que policiais retiravam parte das drogas apreendidas de registros oficiais ou diretamente dos depósitos das delegacias. Os entorpecentes, principalmente cocaína, seriam posteriormente repassados a traficantes.
O caso continua sob investigação. A defesa de Hoffman afirma que pretende contestar a prisão, enquanto o Ministério Público sustenta que os elementos reunidos apontam para a participação de agentes públicos no esquema.