A decisão da Prefeitura de Campo Grande de não garantir, neste momento, a aplicação do reajuste de 5,4% previsto no piso nacional do magistério levou os professores da Rede Municipal de Ensino (Reme) a aprovarem uma paralisação para esta sexta-feira (12). A mobilização foi definida após a prefeita Adriane Lopes (PP) afirmar que o aumento precisará ser rediscutido, o que acirrou o descontentamento da categoria e ampliou a pressão sobre o Executivo.
A paralisação foi aprovada por unanimidade durante Assembleia Geral Extraordinária da ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública), realizada na segunda-feira (8) e que reuniu cerca de 300 profissionais da educação. O movimento tem como principal pauta o cumprimento da política do Piso 20 horas e a aplicação do reajuste de 5,4% estabelecido para este ano.
O ato está marcado para começar às 7h30 na sede da ACP. De lá, os professores seguirão em caminhada até a Prefeitura de Campo Grande, onde pretendem cobrar uma posição oficial da administração municipal sobre a reivindicação salarial.
Segundo o presidente da ACP, Gilvano Kunzler, a categoria decidiu endurecer a mobilização diante da falta de avanços nas negociações com o município. “Foi aprovada por unanimidade uma paralisação geral da educação no dia 12 de junho. Vamos fazer um ato até a Prefeitura Municipal de Campo Grande cobrando posição sobre o urgente cumprimento da lei municipal do Piso 20 horas”, afirmou.
A reação dos professores ocorreu após a prefeita Adriane Lopes declarar que a discussão sobre o reajuste terá de ser retomada. Segundo ela, os acordos firmados anteriormente para recomposição salarial da categoria foram impactados pela definição do novo índice nacional do piso do magistério.
“Quanto aos acordos celebrados em 2025, eles precisam ser refeitos. A discussão precisa ser refeita”, afirmou a prefeita. “Desequilibrou todo o trabalho realizado anteriormente”, acrescentou.
Adriane também argumentou que o Governo Federal ainda não definiu claramente a fonte de recursos para custear o reajuste de 5,4% nos estados e municípios. De acordo com ela, a Prefeitura aguarda orientações sobre a origem do financiamento antes de assumir o novo impacto financeiro na folha de pagamento.
“Eu preciso que o Governo Federal abra precedente para mostrar qual a fonte pagadora, de onde vai vir o recurso para que a gente possa repassar devidamente para os professores”, declarou.
A justificativa, porém, não convenceu a categoria. Os professores defendem que o reajuste está previsto na legislação que regulamenta o piso nacional do magistério e afirmam que a administração municipal já deveria apresentar um cronograma para sua implementação.
Durante a entrevista, Adriane destacou que Campo Grande possui atualmente um dos maiores pisos salariais para professores do país e relembrou que a categoria recebeu reajustes acumulados próximos de 39% entre 2022 e 2026. A prefeita também afirmou respeitar o direito de manifestação dos servidores.
A paralisação desta sexta-feira será a segunda grande mobilização dos profissionais da educação em menos de dois meses. Em abril, professores já haviam realizado protestos no centro da Capital para cobrar a convocação de aprovados em concursos públicos, a realização de novos certames e mudanças nas regras de contribuição previdenciária dos aposentados.
Agora, a principal pressão recai sobre o cumprimento do reajuste de 5,4%, reivindicação que promete manter o embate entre a Prefeitura e os profissionais da educação no centro do debate nos próximos dias.








