Resultados da retatrutida, medicamento experimental que atua em três hormônios simultaneamente, foram divulgados nesta quinta-feira e colocam o tratamento em patamar nunca antes alcançado por um remédio
Um medicamento experimental da farmacêutica Eli Lilly, mesma fabricante do Mounjaro, ajudou pacientes a perder em média 28% do peso corporal ao longo de 80 semanas de tratamento. Os números, divulgados pela própria empresa nesta quinta-feira (21), colocam a retatrutida em patamar comparável ao da cirurgia bariátrica, que provoca redução entre 25% e 35% do peso em um a dois anos. No grupo com obesidade grave que continuou o uso por até 104 semanas, a perda média chegou a 38,5 quilos.
O ensaio clínico de fase 3 envolveu cerca de 2.300 pacientes com obesidade ou sobrepeso. Quase metade dos participantes que tomaram a dose mais alta perdeu 30% ou mais do peso corporal. “É a maior perda de peso que já vi em qualquer ensaio clínico com medicamento”, disse a endocrinologista Susan Spratt, diretora médica sênior do Population Health Management Office da Duke Health, que não participou do estudo.
A retatrutida é classificada como um agonista triplo. Além de imitar o hormônio GLP-1, mecanismo presente no Wegovy e no Zepbound, ela também atua sobre o GIP e o glucagon. Em estudos anteriores, o Zepbound gerou perda média de 21% do peso em 72 semanas, e o Wegovy, de 15% em 68 semanas. A comparação direta entre os três, no entanto, ainda não foi feita em paralelo por nenhuma pesquisa.
Entre os efeitos adversos registrados no estudo estão náusea, constipação e diarreia, comuns a essa classe de medicamentos. Participantes que usaram a retatrutida também relataram sensações cutâneas incomuns e infecções urinárias com mais frequência do que o grupo placebo. A taxa de abandono foi maior do que a observada com o Zepbound, mas semelhante à do Wegovy.
A Eli Lilly ainda não solicitou aprovação à FDA, a agência reguladora americana, e afirma que pretende dar entrada no pedido ainda neste ano. A empresa tampouco publicou os resultados completos em revista científica até o momento.
Foto: Senado Federal








