O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã desta terça-feira (7) a Operação Gutenberg para desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações, corromper agentes públicos e lavar dinheiro por meio de contratos para aquisição de livros paradidáticos. Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.
As investigações apontam que o grupo movimentou mais de R$ 27 milhões em contratos públicos supostamente direcionados de forma ilegal. Segundo o MPMS, empresários lideravam o esquema e contavam com a participação de servidores públicos para favorecer contratações sem licitação ou direcionar processos de compra em diversos municípios sul-mato-grossenses.
Entre os alvos da operação está o ex-prefeito de Fátima do Sul, Júnior Vasconcelos, que atualmente exerce função no gabinete do deputado estadual Jamilson Name (PP). Também foi alvo o coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Ed Carlos Britto Burgatt. Equipes do Gaeco cumpriram mandados no Complexo Regulador Estadual (Core), em Campo Grande, com apoio do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
Durante a operação, também foram presas Jéssica Burgatt, filha de Ed Carlos Britto Burgatt, além das empresárias Olívia Jafar e Rossana Jafar, ligadas à Gráfica Alvorada. As prisões ocorreram nas primeiras horas da manhã em Campo Grande.
De acordo com o Ministério Público, uma das frentes investigadas revelou que integrantes da organização utilizavam a influência de servidores da área da saúde para condicionar a autorização de exames, cirurgias e vagas hospitalares da rede estadual à aquisição de livros comercializados pelo grupo. A suspeita é de que o esquema tenha funcionado em diferentes municípios e permanecesse em atividade até recentemente, com contratos ainda vigentes.
Além dos crimes de fraude em licitação, os investigados poderão responder por corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. As investigações apontam que os recursos obtidos por meio dos contratos públicos eram distribuídos entre empresários, servidores e pessoas físicas e jurídicas utilizadas para ocultar a origem dos valores.
O nome da operação faz referência ao inventor Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros. Segundo o MPMS, a escolha simboliza o contraste entre a importância histórica dos livros para a disseminação do conhecimento e o uso desse material, no caso investigado, como instrumento para dar aparência de legalidade a um esquema criminoso.






