Publicado em 26 maio 2026
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por Marcio Rodrigues Breda •
Testemunha silenciosa de partidas e chegadas pela estrada de ferro, um antigo vagão de passageiros da década de 1940, que há anos aguarda revitalização no pátio da Esplanada Ferroviária de Campo Grande, é, a partir de agora, um dos aparelhos culturais da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.
O Termo de Cedência de Bens Móveis foi celebrado na tarde desta terça-feira, entre o superintendente regional do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Euro Nunes Varanis Júnior, representado pelo diretor Gilberto Martins e o diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Eduardo Mendes.
Conhecido como “trem fantasma”, o vagão teve trajetória marcada por deslocamentos e silêncios. Pertenceu à extinta RFFSA, foi restaurado no início dos anos 2000 e chegou a ocupar posição de destaque em frente à Morada dos Baís. Com o passar dos anos, no entanto, sofreu com o abandono e o vandalismo, retornando ao pátio da Esplanada — onde permaneceu à espera de um novo destino.
Esse novo destino começou a ser redesenhado há mais de uma década. O projeto de recuperação e incorporação do vagão é resultado de um trabalho contínuo da Diretoria de Memória e Patrimônio Cultural da Fundação de Cultura, conduzido com rigor técnico e compromisso histórico. À frente desse processo, a historiadora e gestora Rita Natália Serenza detalhou os desafios enfrentados ao longo da jornada.
“Buscamos entender quem detinha a posse desse bem. E, de fato, foi difícil identificar a titularidade. Após muita pesquisa, constatamos que se tratava de patrimônio da União. A partir disso estruturamos e encaminhamos ao DNIT um projeto de revitalização e de cessão, que hoje se concretiza”.
Localizado na Esplanada Ferroviária — área tombada nas esferas federal, estadual e municipal, o vagão de madeira carrega em sua estrutura marcas do tempo, mas mantém seu encanto. Revela um tempo em que os trilhos costuravam distâncias e histórias.
Agora, o bem passa oficialmente à FCMS, que assume o compromisso de restaurá-lo e devolvê-lo à população como espaço de memória e educação patrimonial, um compromisso público com a história e com o futuro da cultura sul-mato-grossense.
“Este vagão está inserido em uma área que reflete a nossa identidade. Vamos revitalizá-lo e integrá-lo à dinâmica cultural, garantindo que ele permaneça vivo, conectado à história e às expressões contemporâneas da nossa cultura”, avalia Eduardo Mendes, diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.













