Empresas investigadas por suspeita de superfaturamento na compra de medicamentos destinados a pacientes com câncer movimentaram mais de R$ 70 milhões entre 2021 e 2025, segundo dados da Receita Federal apresentados em reportagem exibida pelo Fantástico neste domingo (20). A investigação aponta possíveis irregularidades na aquisição de medicamentos de alto custo em Mato Grosso do Sul.
Segundo a apuração, foram encontradas receitas falsas e medicamentos importados de países como Índia, China, Paquistão e Turquia sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul identificou casos em que os produtos entregues aos pacientes não correspondiam necessariamente ao medicamento determinado pela Justiça.
A investigação também envolve dois funcionários da Secretaria de Estado de Saúde (SES), que foram afastados das funções. Conforme as informações apresentadas na reportagem, eles são suspeitos de encaminhar pedidos de compra para farmácias investigadas. A apuração aponta que os estabelecimentos e servidores poderiam se beneficiar de valores superfaturados.
Um dos casos identificados pela Defensoria chama atenção pela diferença de preços. Um tratamento de três meses teria sido apresentado em um processo judicial por cerca de R$ 100 mil, enquanto o medicamento custaria entre R$ 1,2 mil e R$ 1,6 mil. A investigação também identificou receitas consideradas falsas utilizadas para viabilizar a importação dos produtos.
O caso de Mato Grosso do Sul faz parte de uma série de investigações sobre possíveis fraudes envolvendo medicamentos de alto custo para tratamentos oncológicos. As apurações também avançam em outros estados, mas não há indicação de que todos os episódios estejam relacionados ao mesmo grupo criminoso.