sexta-feira, 24 de abril de 2026

Parque Linear do Segredo é tema de audiência pública sobre mobilidade e preservação ambiental

O planejamento estrutural e sustentável do Parque Linear do Segredo foi discutido pela Câmara Municipal de Campo Grande na quinta-feira, dia 23, na Associação de Moradores da Vila Saraiva. A audiência pública foi convocada pelo vereador Ronilço Guerreiro com o objetivo de ouvir os moradores da região e representantes do Poder Público, a fim de traçar, em conjunto, um plano para o crescimento urbano alinhado à preservação ambiental.

A possível ligação entre os dois lados da Avenida Heráclito de Figueiredo, com a construção de uma ponte, foi o centro do debate do encontro. Foram levantados questionamentos sobre os impactos ambientais dessa obra, bem como sua justificativa para o ordenamento do fluxo de veículos na região.

Segundo o vereador Ronilço Guerreiro, proponente do debate, o crescimento urbano precisa ser acompanhado de planejamento para evitar problemas estruturais. “Sou favorável ao crescimento da cidade, mas isso precisa acontecer com planejamento. Não adianta apenas expandir e aumentar a população sem garantir mobilidade urbana, transporte público eficiente, escolas e atendimento de saúde. O desenvolvimento precisa vir junto com condições reais para quem vive na região”, afirmou.

Durante os discursos, representantes da Prefeitura de Campo Grande explicaram a necessidade de ordenamento do trânsito, conforme estabelecido no Plano Diretor de Transporte e Mobilidade Urbana da cidade.

Para a diretora-adjunta da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (AGETRAN), Andrea Luiza Torres Figueiredo, a região do Segredo apresenta uma concentração de moradias que exige melhorias na mobilidade. “A região tem se adensado muito, com muitas habitações sendo construídas. Independentemente desse novo empreendimento que está na iminência de se implantar, já existem diversos residenciais implantados, o que exige que a gente traga melhorias para a região”, explicou.

A diretora-executiva da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (PLANURB), Mariana Massud, destacou que o momento é oportuno para ouvir a população. “Eu também estou aqui para ouvir a população. Esse é um espaço importantíssimo para trazer as ideias e necessidades de cada um. Gostaria de explicar um pouco do rito e do processo que estamos vivenciando, principalmente em relação à travessia. Esse projeto ainda é muito inicial na Prefeitura. Para a implantação do empreendimento, há diretrizes a serem cumpridas. Estamos seguindo o que a legislação estabelece”, apontou.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (SEMADES), Ademar Silva Junior, apresentou dados sobre o número de veículos na cidade como ponto de partida para o planejamento urbano. “Temos quase dois carros por habitante na cidade. Estamos próximos de 1 milhão de pessoas, ou seja, cerca de 2 milhões de veículos circulando na Capital. As vias vão ficando congestionadas, e o crescimento da cidade é muito exponencial. Este é um momento de escutar a comunidade e as autoridades. A Prefeitura está aberta para encontrar soluções”, destacou.

O debate também contou com a defesa de soluções alternativas para o ordenamento do trânsito, priorizando o potencial ambiental do Parque Linear do Segredo para Campo Grande.

De acordo com o gestor ambiental do Projeto Ecoplantar, Marcos Eduardo Bergoli Kirst, que atua com educação ambiental e redução de impactos no parque, é necessário buscar soluções alternativas para o reordenamento do trânsito. “A mobilidade urbana é necessária, mas, nesse caso, existem alternativas que não afetam o parque. O desenvolvimento é inevitável, mas precisamos agir com inteligência, pois estamos vivendo crises climáticas. O parque deve ser visto como infraestrutura urbana, prestando serviços como o controle de enchentes”, ressaltou.

Já o promotor de Justiça Luiz Antônio Freitas de Almeida reforçou a importância do espaço proporcionado pelo Legislativo para ouvir a comunidade. “Esse espaço é muito importante, e fico feliz em ver a população participando de uma decisão que vai afetar a coletividade. A iniciativa da Câmara de levar uma audiência pública para perto da comunidade impactada é fundamental. A democracia não é só votar; é participar das decisões administrativas e ajudar a administração a chegar à melhor decisão”, avaliou.

O vereador Landmark, que secretariou a audiência pública, manifestou seu posicionamento em relação à construção da ponte na área de preservação ambiental. “A ponte terá que ser construída em outro lugar. Entendemos que existe um fluxo de veículos, mas devemos adotar alternativas. Por isso, essa escuta da população é tão importante. A Câmara Municipal tem sido muito presente na construção de uma Campo Grande melhor. Pode contar com o nosso mandato na decisão que a comunidade tomar”, disse.

A medida adotada pela Casa de Leis de ouvir a comunidade foi defendida pelo vereador Veterinário Francisco. “Aqui é uma extensão da Casa do Povo, onde todos têm voz. A população tem o poder de mudar as coisas. Que essa ponte seja subterrânea ou construída em outro local, mas aqui não”, alegou.

Segundo a presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente, Rosângela Maria, o envolvimento da comunidade desde o início do projeto reflete diretamente no resultado futuro. “Este plenário está bonito. É a primeira vez que vejo uma comunidade tão envolvida em um tema desde o início. Isso é extremamente importante para o desenrolar do processo e das decisões que serão tomadas”, enfatizou.

A comunidade presente também foi ouvida, sendo peça fundamental na construção de soluções que conciliem desenvolvimento e preservação ambiental. “A região do Segredo é uma das responsáveis pela qualidade ambiental da cidade, pois contribui para os índices internacionais da ONU de cobertura verde, com significativa presença de árvores”, revelou a professora e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Eliane Guaraldo.

Ao final, o proponente da audiência pública, vereador Ronilço Guerreiro, afirmou que será construído um relatório para dialogar diretamente com os órgãos competentes. Além disso, posicionou-se contrário à implantação da ponte no Parque Linear do Segredo. “Eu sou contra essa ponte do jeito que vai ser feita no projeto, sou a favor de criar rotas alternativas, como uma rotatória para o ordenamento do trânsito”, concluiu.

Dayane Parron
Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal


Fonte: Câmara Municipal de Campo Grande – MS