O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o governo brasileiro pelo enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), apontando as duas facções como uma ameaça crescente. A manifestação consta de um documento enviado nesta terça-feira (15) ao Congresso norte-americano, mas o Brasil não aparece na lista formal dos 23 países considerados pelos EUA como principais produtores ou rotas de trânsito de drogas ilícitas.

No texto, Trump afirma que o governo brasileiro não teria conseguido enfrentar as duas organizações, que, segundo ele, transformaram o país em um centro do fluxo internacional de cocaína. O presidente norte-americano defendeu que o Brasil adote medidas mais agressivas contra as facções. Em maio, os Estados Unidos já haviam designado PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública reagiu e rejeitou a avaliação de Washington. Em nota, a pasta afirmou que o documento desconsidera ações brasileiras de combate ao crime organizado, incluindo a Lei Antifacção, sancionada em março deste ano, além de operações realizadas pelas forças federais e o programa Brasil contra o Crime Organizado.

O governo brasileiro também destacou a cooperação com os Estados Unidos e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou, em maio, uma proposta de ações conjuntas contra lavagem de dinheiro, tráfico de armas e para compartilhamento de inteligência.

Apesar da crítica de Trump, o próprio documento norte-americano não classifica o Brasil entre os países que teriam falhado formalmente no cumprimento de obrigações internacionais de combate às drogas. Essa classificação foi atribuída a Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela. O governo brasileiro ressaltou ainda que a menção ao país aparece na parte narrativa do documento e não na lista oficial.

 

Foto: Ricardo Stuckert/PR