“Hoje eu tenho paz”. É com essa frase simples, mas carregada de significado, que Bruna*, hoje com 18 anos, resume a transformação que viveu após anos marcados por abandono, violência doméstica e sofrimento emocional. O caminho até aqui foi difícil, mas ela encontrou no acolhimento humanizado da rede de proteção e no apoio do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul a oportunidade de reconstruir a própria vida.
A história de Bruna começou a mudar depois de uma sequência de perdas e dores. Aos 13 anos, ela perdeu a mãe, Sandra*, a quem descreve como sua maior referência de força, amor e dedicação. “Minha mãe era tudo na minha vida. Quando ela foi tirada de mim, meu mundo acabou”, relembra.
Após a morte da mãe, Bruna passou por situações de vulnerabilidade, morando de favor em diferentes casas e tentando sobreviver como podia. Ainda muito jovem, com 14 anos, entrou em um relacionamento abusivo que, com o tempo, se transformou em um ciclo de agressões físicas, emocionais, patrimoniais e sexuais.
Mesmo diante das violências, ela conta que não conseguia romper completamente a relação. “Eu era totalmente dependente dele em todos os sentidos”, afirma.
A situação atingiu o limite quando, vivendo em Três Lagoas, Bruna permaneceu por mais de nove meses trancada em um quarto com o filho pequeno, sofrendo agressões constantes. Até que encontrou forças para fugir.
“Foi Deus quem me deu força. Eu fugi muito machucada, destruída emocionalmente. Eu só queria sair daquilo”.
Sozinha, sem conhecer ninguém na cidade e em estado de extrema vulnerabilidade, ela procurou ajuda em uma delegacia. Foi ali que, segundo Bruna, começou o processo de reconstrução.
“Quando eu cheguei na delegacia eles me acolheram, me limparam e foram comigo buscar meu filho. Pela primeira vez em quatro anos eu via uma luz no fim do túnel”.
Após o resgate, Bruna foi encaminhada para um abrigo de proteção e, posteriormente, transferida para Campo Grande. Ainda menor de idade, precisou novamente enfrentar o sentimento de rejeição familiar, mas encontrou acolhimento em um abrigo, onde começou uma nova etapa da vida.
Ela faz questão de destacar o cuidado recebido pela equipe técnica e pelas profissionais que acompanharam sua trajetória.
“Quando eu cheguei no abrigo eu fui acolhida, tive chance de falar e finalmente me sentia segura”.
Entre as pessoas que marcaram sua caminhada, Bruna cita com emoção cuidadoras, técnicas e profissionais que a incentivaram a acreditar novamente em si mesma. O apoio psicológico, os cursos profissionalizantes e o incentivo à autonomia ajudaram a jovem a recuperar a autoestima e a planejar o futuro.
Com o suporte da rede de acolhimento, ela concluiu cursos nas áreas administrativa e contábil, começou a trabalhar e deu início ao próprio negócio, com um estúdio de cílios e sobrancelhas e uma loja online de lingerie e baby doll.
Mas um dos momentos mais marcantes, segundo ela, aconteceu quando recebeu a autorização judicial para deixar o abrigo e seguir uma nova vida ao lado do filho.
“Eu só sabia chorar e agradecer. Finalmente tudo fazia sentido. A vida tinha cor de novo”.
Bruna também destaca o papel fundamental do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul no acompanhamento de seu caso, especialmente pela agilidade e sensibilidade no atendimento prestado.
“Tive um atendimento muito humanizado pela equipe do TJMS, pela juíza que acompanhou meu caso, e eles me ajudaram para que a medida protetiva viesse de forma rápida, garantindo minha proteção e do meu filho”.
A atuação célere da Justiça garantiu a expedição urgente da medida protetiva e a adoção das providências necessárias para assegurar a segurança da jovem e da criança, impedindo qualquer aproximação do agressor.
Hoje, longe da violência, Bruna afirma viver uma realidade completamente diferente daquela que imaginava possível anos atrás. Faz acompanhamento psicológico, trabalha, cuida do filho e sonha alto: pretende iniciar um curso técnico em enfermagem e, futuramente, cursar biomedicina com especialização em estética e perícia.
“Hoje eu vivo minha vida em paz com meu filho, na minha casa, com um trabalho estável e pessoas que se tornaram minha família. Eu sou eternamente grata a todos que me ajudaram não só a construir uma carreira profissional, mas principalmente a me reconstruir como pessoa”.
*Todos os nomes citados na matéria são fictícios






