Um tenente-coronel aposentado da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, de 52 anos, foi encontrado morto com um tiro no peito na manhã deste domingo (13), na região da Vila Novo Horizonte, em Campo Grande. O militar havia sido denunciado pela própria filha, em agosto, por supostos abusos sexuais que, segundo o relato registrado à polícia, teriam começado quando ela tinha 9 anos.

O corpo foi localizado por volta das 6h30, próximo à Avenida Tamandaré. Segundo informações apuradas pela reportagem, um homem procurou funcionários de um posto de combustíveis e informou que havia uma pessoa aparentemente desacordada na rua. Os frentistas foram até o endereço e encontraram o militar já ferido.

Testemunhas relataram ter ouvido um disparo pouco antes de o corpo ser localizado, mas inicialmente acreditaram que o barulho tivesse sido provocado por uma motocicleta. A vítima apresentava um ferimento no peito provocado por arma de fogo. Próximo ao corpo foram encontrados uma arma e uma carta, cujo conteúdo ainda não foi divulgado.

Equipes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da Perícia Técnica estiveram no local. O corpo foi recolhido e as circunstâncias da morte serão investigadas pelas autoridades. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a autoria ou motivação do disparo.

Denúncia por abusos

A denúncia contra o militar foi registrada em 6 de agosto, quando a filha procurou uma unidade da Polícia Militar para relatar os supostos abusos. Conforme o depoimento, a violência teria começado durante a infância e continuado ao longo da adolescência.

Segundo o relato, aos 13 anos teria ocorrido uma relação sexual e, posteriormente, o pai continuaria pressionando a filha a manter relações. Ela afirmou ainda que o militar teria utilizado uma arma de fogo para intimidá-la e evitar que os abusos fossem descobertos.

A denúncia também mencionou possíveis outras vítimas. Conforme o depoimento, um irmão teria percebido os abusos durante a infância e também teria sido vítima de violência sexual. A mulher relatou ainda ter presenciado o pai abusando de outra criança da família.

Os relatos foram encaminhados para investigação, com pedido de medidas protetivas para impedir o contato do militar com familiares. As acusações, no entanto, estavam sob investigação e não havia, até sua morte, informação de condenação pelos crimes denunciados.

Carreira na PM

O tenente-coronel ocupou o cargo de subcomandante da 6ª Companhia Independente da Polícia Militar. Ele estava na reserva remunerada da corporação desde dezembro de 2018.

A morte ocorreu pouco mais de um mês após o registro da denúncia. A Polícia Civil deverá apurar as circunstâncias do disparo e o conteúdo da carta encontrada próximo ao corpo.