O homem suspeito de matar Joseane Oliveira Nunes, de 33 anos, a golpes de foice na cabeça foi preso nesta quinta-feira (20), horas após o crime, em Campo Grande. Lourival da Cruz Neto, de 19 anos, foi localizado em um posto de combustíveis em Jaraguari, a 47 quilômetros da Capital, após a Polícia Civil rastrear informações sobre o paradeiro dele. Joseane é apontada como a 22ª vítima de feminicídio em Mato Grosso do Sul neste ano.
O crime ocorreu na noite de quarta-feira (19), dentro de uma residência no bairro Tiradentes. Segundo a investigação, Joseane discutia com o companheiro quando foi atacada. Após o assassinato, Lourival fugiu de bicicleta. Equipes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), com apoio do 9º Batalhão da Polícia Militar, conseguiram localizar o suspeito no dia seguinte.
A morte expôs também um histórico de violência doméstica. Conforme a Polícia Civil, Joseane havia procurado a Deam no mês passado e solicitado uma medida protetiva de urgência contra o companheiro. A proteção chegou a ser concedida, mas foi revogada dias antes do feminicídio a pedido da própria vítima.
A mãe de Joseane, Pascoalina de Oliveira, de 64 anos, contou que havia tentado convencer a filha a não retomar o relacionamento devido às agressões anteriores. Segundo ela, Joseane já teria sido agredida pelo companheiro e os dois chegaram a terminar a relação. Em um dos episódios de violência relatados pela família, a vítima, que estava grávida de nove meses, perdeu o bebê.
A Polícia Civil destacou que a revogação da medida protetiva não significa renúncia à proteção do Estado nem atribui qualquer responsabilidade à vítima pelo crime. Segundo o órgão, a violência doméstica pode ocorrer dentro de um ciclo marcado por agressões, reconciliações, promessas de mudança e novos episódios de violência, o que pode dificultar o rompimento definitivo da relação.
Joseane deixou três filhos, de 11, 15 e 17 anos, que atualmente moravam com o pai. O corpo deverá ser levado para Porto Murtinho, onde a família da vítima vive. A mãe contou que receberá apoio da Associação de Ribeirinhos de Porto Murtinho para realizar o traslado e o sepultamento.
Além da investigação sobre o feminicídio, Lourival possui registros anteriores na Justiça. Um dos processos envolve uma denúncia por tentativa de homicídio qualificado, relacionada a um episódio ocorrido em julho de 2025. Conforme a acusação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, o caso teria começado após uma discussão durante uma partida de sinuca e terminado com a vítima sendo atacada com uma arma branca.
O suspeito também aparece em registros relacionados a uma medida protetiva envolvendo uma criança, em procedimento que tramita na Vara da Infância e da Adolescência. As circunstâncias dos casos anteriores serão analisadas no decorrer dos processos e da investigação sobre a morte de Joseane.