Ter uma estratégia definida não significa, necessariamente, saber quais tarefas devem ser executadas primeiro. Em empresas que lidam com mudanças constantes, crescimento e múltiplas demandas, uma das dificuldades da gestão está justamente em transformar objetivos amplos em prioridades que possam ser acompanhadas e medidas. Foi para discutir essa relação entre estratégia e execução que o Sebrae no Distrito Federal realizou, na noite desta quinta-feira, 27 de agosto, no Sebraelab, a capacitação “OKRs na Prática: Do Backlog ao Resultado – Gestão Estratégica com OKRs para Empresas”.

Os empresários de tecnologia da informação, provedores de internet, desenvolvedoras de games, startups e demais interessados em aprimorar a gestão estratégica, conheceram os fundamentos da metodologia OKR (Objectives and Key Results) e participaram de exercícios para construir objetivos aplicáveis à realidade de seus próprios negócios.

A metodologia organiza a gestão a partir de duas perguntas: o que a empresa pretende alcançar e como será possível saber se está avançando em direção a esse objetivo. O objetivo estabelece a direção, enquanto os resultados-chave transformam essa direção em indicadores que permitem acompanhar o progresso.

Embora associados frequentemente a empresas de tecnologia, os OKRs não são restritos a esse segmento. A lógica pode ser aplicada a organizações de diferentes portes e áreas justamente por tratar de uma questão comum à gestão, que é definir prioridades, acompanhar resultados e manter equipes orientadas para os mesmos objetivos.

O conteúdo da capacitação foi conduzido por Eduardo Zanini, advisor estratégico, mentor executivo e professor de Metodologia OKR, com atuação em liderança, estratégia, execução, aprendizagem corporativa e inteligência artificial aplicada aos negócios.

Foto: Samuel Andrade | Focus Produção de Imagem
Foto: Samuel Andrade | Focus Produção de Imagem

Durante o workshop, os participantes trabalharam as diferenças entre OKRs, KPIs, projetos e tarefas e discutiram como conectar estratégia, backlog, produtos e operação. Também foram apresentados casos relacionados a empresas de TI, provedores de internet, desenvolvedoras de games e negócios digitais, além dos erros mais comuns na definição e no acompanhamento de objetivos.

Para Zanini, a principal contribuição da metodologia está em ajudar o empresário a decidir o que realmente merece atenção em meio ao conjunto de demandas que disputam espaço dentro de uma empresa.

“As pessoas precisam ter clareza de direção, entender quais estratégias vão priorizar e, principalmente, quais decisões precisam tomar. A metodologia ajuda a entender como direcionar o negócio, como organizar as prioridades e como reconhecer quais objetivos realmente fazem sentido diante de tantas coisas que acontecem no mercado. Ela traz justamente essa clareza, direção, foco e controle’’, disse.

Segundo o especialista, a aplicação dos OKRs precisa partir da estratégia e não de uma lista de tarefas. O empresário deve compreender primeiro qual é a razão de ser do negócio, qual posicionamento pretende construir e qual problema deseja resolver para o cliente. A partir daí, os objetivos podem ser desdobrados em resultados mensuráveis.

“Quando a estratégia está bem definida, fica muito mais fácil desdobrá-la em bons objetivos, tomar decisões, alinhar as equipes e estabelecer onde a empresa quer chegar. Tudo começa pela estratégia e pela definição do que realmente faz sentido para o negócio”, explicou.

A metodologia também procura evitar que a empresa transforme planejamento em uma relação extensa de tarefas. Um dos pontos trabalhados durante a capacitação foi justamente a necessidade de distinguir aquilo que precisa ser feito daquilo que efetivamente representa um resultado estratégico.

Foto: Samuel Andrade | Focus Produção de Imagem
Foto: Samuel Andrade | Focus Produção de Imagem

Em um ciclo de OKRs, os objetivos e resultados são acompanhados ao longo do período, permitindo que equipes verifiquem o progresso e façam ajustes quando necessário. A metodologia é utilizada, em geral, em ciclos periódicos, com acompanhamento contínuo e revisão dos resultados ao final de cada ciclo.

Aprendizado aplicado à realidade das empresas

Entre os participantes estava Marcos Rebouças, supervisor da 4K Internet. Aos 20 anos e há três anos na empresa, ele participou pela primeira vez de uma capacitação do Sebrae e levou para o encontro questões relacionadas à estruturação do negócio e à importância de estabelecer prioridades. Segundo Marcos, a experiência também está relacionada ao processo de desenvolvimento profissional que vem realizando dentro da empresa.

“Fiquei sabendo da capacitação por meio do meu chefe, que está investindo bastante no meu trabalho, e nessa questão da supervisão, de entender melhor essa função’’, pontuou.

Durante a atividade, um dos exemplos discutidos envolveu um provedor que decidiu competir pela qualidade do serviço e pelo atendimento, em vez de concentrar sua estratégia apenas em preço. A situação levou Marcos a relacionar o conteúdo à própria realidade da 4K Internet.

“Ter qualidade e uma estrutura sólida é fundamental para conseguir entregar um serviço melhor. Faço essa comparação inclusive com a minha empresa de internet em relação às grandes operadoras. Muitas vezes, o cliente aceita pagar mais justamente porque percebe uma qualidade e uma excelência que outras empresas não oferecem. Vejo essa estrutura como um diferencial importante”, afirmou.

Foto: Samuel Andrade | Focus Produção de Imagem
Foto: Samuel Andrade | Focus Produção de Imagem

A gerente financeira da 4K Internet, Lourdes Maciel, já havia participado de outras capacitações do Sebrae e, para ela, a capacitação chega em um momento de reestruturação da empresa e pode ser incorporado à rotina de gestão.

“O que achei mais interessante foi justamente identificar o que não é prioridade. Às vezes, você cria várias estratégias para alavancar e fazer a empresa crescer, mas precisa ter a sabedoria de entender o que não conseguirá executar naquele momento. Existe uma equipe por trás que também precisa absorver tudo o que está sendo proposto. Quando você não separa aquilo que realmente é prioridade, o próprio colaborador fica confuso e não consegue transformar as ideias em ações’’, alertou.

Metodologia também para negócios de outros setores

Embora a capacitação tenha sido desenhada especialmente para o ecossistema de tecnologia, a aplicação da metodologia alcança negócios de diferentes áreas. Foi o caso de Edir Justiana, psicanalista e proprietária da podEvoluir, empresa que atua com Saúde Mental Organizacional e Gestão de Riscos Psicossociais para escolas e empresas. Ela participa do ALI Produtividade, ciclo 2 de 2026, e aproveitou a atividade para ampliar seus conhecimentos em gestão.

Na podEvoluir, o trabalho envolve a transformação das exigências relacionadas à NR-1 em estratégias voltadas à saúde mental, à prevenção de riscos psicossociais e à construção de ambientes de trabalho e aprendizagem mais seguros e produtivos.

A empresária avaliou positivamente a dinâmica do encontro, especialmente pela possibilidade de levar a metodologia para a realidade do próprio negócio. “Gostei muito da forma como a capacitação foi conduzida, principalmente porque não ficou apenas na teoria. As dinâmicas ajudam a pensar sobre o que realmente precisa ser priorizado e como transformar uma intenção em um objetivo que possa ser acompanhado. Para a podEvoluir, isso faz sentido porque estamos construindo uma visão de longo prazo e precisamos organizar as decisões de agora para chegar onde queremos”.

A empresa tem como missão, até 2036, tornar a segurança emocional e ética um novo padrão das empresas brasileiras. Para Edir, trabalhar com objetivos de longo prazo exige justamente a capacidade de transformá-los em etapas concretas e acompanháveis.

Gestão estratégica para empresas em transformação

A realização da capacitação integra as ações do Sebrae no DF voltadas ao fortalecimento da gestão e da competitividade dos pequenos negócios, especialmente em segmentos ligados à tecnologia, conectividade e inovação.

Cláudia Bonifácio, gestora dos projetos Brasília Conecta TIC e Sebrae Conecta Games, pondera que para pequenos negócios, esse acompanhamento pode contribuir para reduzir a dispersão de esforços e direcionar recursos limitados para aquilo que tem maior relação com os objetivos definidos pela empresa.

Foto: Samuel Andrade | Focus Produção de Imagem
Foto: Samuel Andrade | Focus Produção de Imagem

“A capacitação foi pensada para trazer uma ferramenta que ajude o empresário a sair da lógica de simplesmente executar tarefas e começar a olhar para aquilo que realmente precisa ser alcançado. Isso é importante para empresas de tecnologia, que lidam com muitos projetos e mudanças rápidas, mas também para outros negócios. Quando o empresário consegue definir prioridades, estabelecer como vai medir seus avanços e alinhar a equipe em torno desses objetivos, ele passa a ter mais elementos para tomar decisões e acompanhar a execução da estratégia’’, finalizou.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias