Incentivar a leitura, promover a ressocialização e dar novo destino a materiais que seriam descartados. Com esses objetivos, o projeto Geladeira Literária chegou à Escola Municipal Antônio Santos Ribeiro, em Piraputanga, na última quinta-feira, 2 de julho, levando livros e revistas para ampliar o acesso à leitura e à cultura regional entre as crianças da comunidade.
Desenvolvido pelo Fórum de Anastácio em parceria com a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), o projeto transforma geladeiras descartadas em bibliotecas comunitárias. Reformadas por internos do Estabelecimento Penal de Aquidauana, elas ficam abastecidas com livros e revistas disponíveis gratuitamente para empréstimo e consulta.
A entrega contou com a participação do juiz Luciano Beladelli, da comarca de Anastácio, e da equipe responsável pela iniciativa. Os alunos receberam o novo espaço de leitura com apresentações musicais preparadas especialmente para a ocasião.
Criado há quase três anos, o projeto já instalou 26 geladeiras literárias em escolas, centros de educação infantil, distritos rurais, aldeias indígenas, escolas pantaneiras e na Casa de Acolhimento, beneficiando aproximadamente 10 mil pessoas nos municípios de Aquidauana, Anastácio, Miranda e Nioaque.
A Geladeira Literária é um dos eixos de atuação do projeto Aromas, Sabores e Saberes do Pantanal, iniciativa socioambiental que reúne ações de incentivo à leitura, educação ambiental e valorização da cultura regional. Além das bibliotecas comunitárias, as ações incluem a distribuição de mudas de ipês produzidas pelos internos e atividades de valorização da cultura pantaneira, incentivando a educação ambiental e fortalecendo a identidade regional entre os estudantes.
“O projeto vai além da entrega de uma geladeira cheia de livros. Ele retira do meio ambiente um resíduo que seria descartado, promove a ressocialização de pessoas privadas de liberdade e leva conhecimento e cultura a quem passa a ter acesso às obras”, afirma o juiz.
Idealizado por policiais penais do Estabelecimento Penal de Aquidauana, o projeto surgiu para aproximar a comunidade das ações de ressocialização desenvolvidas na unidade prisional. Desde então, ganhou novos parceiros e ampliou seu alcance, levando incentivo à leitura e educação ambiental para escolas e instituições da região.
“A Geladeira Literária nos surpreendeu porque transpôs essa muralha. Ela levou para fora do presídio o trabalho desenvolvido pelos internos e mostrou à comunidade que a ressocialização pode transformar vidas”, afirma a policial penal Eliane Luz, uma das idealizadoras.
“Não imaginávamos que o projeto alcançaria essa dimensão. Percebemos que a educação é o caminho para promover essa mudança de paradigma”, completa a policial Andreia Diniz.
O entusiasmo com a nova biblioteca comunitária também ficou evidente entre os alunos. Stefane Pissurno, de 14 anos, acredita que a iniciativa deve incentivar o hábito da leitura e contribuir para o desenvolvimento dos estudantes, dentro e fora da escola.
“Achei essa ideia maravilhosa. É uma forma de incentivar as crianças a lerem, ampliar o vocabulário e despertar ainda mais o interesse pelos livros. A leitura ajuda muito na escola e faz diferença no nosso aprendizado”, diz a estudante.
O projeto também representa uma oportunidade de aprendizado para os internos responsáveis por recuperar, pintar e adaptar as geladeiras. Um deles é William dos Santos, que afirma ter descoberto novas habilidades durante o cumprimento da pena e vê na iniciativa uma chance concreta de recomeçar.
“Me sinto orgulhoso e feliz por saber que um trabalho feito por nós vai levar alegria e leitura para tantas crianças. Nem todo lugar oferece uma oportunidade como essa. Cada dia eu aprendo um pouco mais e isso me faz pensar no futuro e na vida que quero construir quando sair daqui”, afirma.






