O número de novos aposentados na Argentina caiu para menos da metade em apenas dois anos. Os dados estão no último Boletim Estatístico da Previdência Social.

Houve uma queda de 53% no número de trabalhadores que se aposentaram. Foram quase 214 mil no primeiro semestre de 2024. Mas no primeiro semestre deste ano, esse número caiu para menos de 100 mil.

Entre as mudanças do governo Javier Milei, que afetaram os aposentados, está o fim da “moratória previdenciária”. Até março de 2025, esse mecanismo permitia que os trabalhadores com idade mínima para se aposentar, mas sem os 30 anos de contribuição, pudessem se regularizar. Isso não é mais possível.

O governo Milei também alterou o cálculo da aposentadoria, com um decreto em 2024, limitando o reajuste à inflação. Antes, eram considerados a variação dos salários e a arrecadação da Previdência. O Centro de Economia Política calculou que o piso das aposentadorias deixou de crescer 21%, levando em conta os valores de junho.

Outra mudança foi o corte no subsídio para compra de medicamentos por meio do Instituto Nacional de Serviços Sociais para Aposentados e Pensionistas. Desde o fim de 2024, só podem acessar o programa os inativos com renda mensal de até 1,5 vez o benefício mínimo.

O Congresso argentino chegou a aprovar três projetos para aumentar os valores das aposentadorias, um em 2024 e dois no ano passado. Entre as mudanças, estava a aposentadoria mínima de 109% do valor da cesta básica. Mas as medidas foram vetadas por Javier Milei, que alegou falta de dinheiro.

Neste mês de outubro, a aposentadoria na Argentina foi reajustada em 1,66%. Pouco mais de 500 mil pesos, o equivalente a R$ 1.662. A organização Espaço Gerontovida, uma ONG em defesa da população idosa em Buenos Aires, calcula que para cobrir as necessidades básicas, a aposentadoria deveria ser no mínimo quatro vezes maior.

*Com informações da Agência Brasil

Fonte: Radioagência Nacional – EBC