A investigação sobre o assassinato de duas jovens encontradas carbonizadas dentro de uma casa em Rochedo, a cerca de 80 quilômetros de Campo Grande, avançou com a prisão de dois suspeitos e a morte de outro homem durante confronto com a Polícia Militar. Segundo a Polícia Civil, uma das linhas investigadas aponta para um possível conflito entre integrantes de duas facções criminosas.
As vítimas foram identificadas como Vitória Gabriely Souza Cordeiro, de 21 anos, e Ellen Vitória Moreira da Cruz, de 20. As duas foram encontradas mortas dentro de uma residência na Avenida Evangelina Vieira, esquina com a Rua Diamante Azul. Conforme a investigação, elas foram mortas com golpes de faca e chutes antes de os corpos serem carbonizados.
De acordo com o delegado Valmir de Moura Fé, responsável pelo caso, uma testemunha relatou que havia drogas armazenadas na residência e que as duas jovens teriam sido ameaçadas anteriormente por integrantes de um grupo criminoso. Vitória morava no imóvel com o irmão, que não estava na casa no momento do crime. Ellen era moradora de Terenos e havia chegado a Rochedo na noite de terça-feira (22).
A polícia trabalha com a informação de que homens invadiram a residência durante a noite. Conforme o relato de uma testemunha, as vítimas teriam sido pressionadas para deixar de atuar para uma facção rival. Ainda segundo a investigação, ameaças teriam sido feitas por meio de mensagens de celular e também alcançado familiares das jovens.
Após o crime, dois suspeitos foram presos durante uma ação do Grupo de Operações e Investigações (GOI) com o Tático do 11º Batalhão da Polícia Militar. Um terceiro homem, identificado como Luís Carlos, conhecido como “Bob Esponja”, morreu durante confronto com os policiais. Segundo a Polícia Civil, ele seria ligado à disciplina do PCC.
Outro elemento que passou a ser analisado pelos investigadores é a informação de que a execução das duas jovens teria sido transmitida ao vivo para integrantes de uma organização criminosa. O conteúdo estaria sendo analisado pela Polícia Civil como parte da investigação.
Inicialmente, a Polícia Civil havia informado que o imóvel era apontado como ponto de tráfico de drogas e que o caso não era tratado como feminicídio. Com o avanço das diligências, os investigadores passaram a apurar a possível relação das mortes com a disputa entre facções. A participação de cada suspeito e a dinâmica completa do crime ainda estão sendo esclarecidas.
O imóvel teve um princípio de incêndio após as mortes, mas o Corpo de Bombeiros não chegou a ser acionado. A Polícia Civil continua com a investigação para reunir provas, esclarecer a motivação e identificar todos os envolvidos no duplo homicídio.