O delegado da Polícia Civil Hoffman D’Ávila Cândido e Souza voltou a ser alvo de uma operação policial nesta quarta-feira (4), menos de dois meses depois de ser preso na Operação Infiltrados, do Gaeco. Desta vez, ele é investigado pela Polícia Federal na Operação Ifrit, que apura a atuação de uma organização criminosa transnacional e suspeitas de envolvimento de agentes de segurança pública no esquema.
Conforme informações divulgadas, o delegado teria obtido cerca de R$ 15 milhões com a venda de aproximadamente duas toneladas de cocaína que teriam sido desviadas do depósito do Departamento de Operações de Fronteira (Denar). A droga teria sido comercializada por valores entre R$ 8,5 mil e R$ 10,5 mil por quilo.
Hoffman está preso desde 24 de setembro, quando foi alvo da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Na ação desta quarta-feira, policiais federais foram até a residência do delegado, em Campo Grande, para cumprir mandados judiciais.
Outro alvo foi o policial civil Douglas Tobias, também investigado na operação anterior. Um Ford Mustang que pertence a ele foi levado de um condomínio de luxo. É a segunda vez, em menos de dois meses, que os dois servidores são alvos de operações policiais.
A Operação Ifrit cumpre 76 mandados judiciais, incluindo 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária, em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Três policiais civis foram afastados das funções.
A investigação apura uma organização criminosa transnacional liderada por um núcleo familiar e associada a facções criminosas. Segundo a Polícia Federal, o grupo é suspeito de envolvimento com tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro e crimes violentos, como sequestros, torturas, atentados e homicídios.
As apurações apontam que a organização atuava principalmente na região de fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, com ramificações em outros estados. Drogas e armas seriam obtidas na Bolívia, no Peru e no Paraguai, abastecendo redes de distribuição no Brasil e rotas internacionais com destino à Europa, especialmente Espanha e Portugal.
De acordo com as informações divulgadas, policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal de outro estado também aparecem entre os investigados. A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul informou que não houve policiais militares presos na operação e afirmou que atua com base nos princípios da legalidade, ética e responsabilidade institucional.