Pela primeira vez, Campo Grande sedia o curso “Rede por quê? – Estruturação e Formação com a Perspectiva de Gênero para a Rede de Atendimento e Enfrentamento à Violência contra as Mulheres”, iniciativa da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, em parceria com a Escola Judicial de MS (Ejud-MS) e a empresa Arauco.
A capacitação teve início nesta quinta-feira, dia 16 de julho, e se estende até amanhã (17), na Casa da Mulher Brasileira, reunindo cerca de 40 profissionais da rede de atendimento do município de Inocência, entre representantes de diferentes instituições que atuam na proteção e no atendimento às mulheres em situação de violência.
Durante a abertura do curso, a desembargadora Sandra Artioli, coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJMS, agradeceu a parceria com a empresa Arauco pelo apoio ao projeto, que vai além das atribuições institucionais, “pois é pautado pela alteridade, solidariedade e compromisso com as pessoas que necessitam desse atendimento”.
Ao agradecer o comprometimento dos participantes, a magistrada afirmou que o empenho de cada profissional, em cada município, fortalece a prevenção da violência contra a mulher e amplia as possibilidades de mudança positiva para a sociedade ao longo do tempo.
A juíza da 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar, Tatiana Decarli, destacou o simbolismo da realização da capacitação na Casa da Mulher Brasileira, a primeira implantada no país. Ela ressaltou que Mato Grosso do Sul é referência no atendimento às mulheres em situação de violência doméstica, com projetos reconhecidos nacional e internacionalmente. Segundo a juíza, esse protagonismo é resultado do trabalho integrado entre o Judiciário e os demais órgãos da rede de proteção.
Embora o curso normalmente seja promovido no município solicitante, nesta edição a formação ocorre na capital em razão das mudanças vivenciadas por Inocência com a implantação da fábrica de celulose da Arauco. O empreendimento impulsionou o crescimento populacional da cidade, especialmente com o aumento da população masculina, tornando ainda mais urgente o fortalecimento e a qualificação da rede de atendimento para responder à nova realidade.
Para viabilizar a participação dos profissionais, a empresa Arauco custeou transporte, hospedagem e alimentação dos participantes durante os dois dias de formação. De acordo com Kary Visoto, especialista de desempenho social da empresa, o combate à violência de gênero e também à violência contra crianças e adolescentes é um compromisso da Arauco. Por isso, segundo ela, a parceria com o Tribunal ocorre com satisfação, e a empresa seguirá apoiando iniciativas voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência.
Com carga horária de 16 horas, o curso tem como objetivo qualificar os profissionais que atuam na rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, promovendo uma atuação integrada, humanizada e fundamentada na perspectiva de gênero.
A programação contempla temas como o contexto sócio-histórico e cultural da violência de gênero, atendimento e acolhimento humanizado, aspectos jurídicos da violência doméstica e familiar, utilização do Formulário Nacional de Avaliação de Risco e construção de fluxos e protocolos de atendimento entre os órgãos da rede.
Entre os facilitadores estão o psicólogo Rodrigo Kenji Miyazaki de Souza, a analista judiciária Ana Eliza Matos dos Santos e a assistente social Angela Maria Ribas de Souza, profissionais da equipe da Coordenadoria da Mulher.
Além das atividades teóricas e das oficinas, os participantes realizarão uma visita técnica à Casa da Mulher Brasileira, espaço de referência no atendimento integrado às mulheres em situação de violência.







