Por muito tempo, parte das mulheres que frequentavam a Casa do Artesão de Messias (AL) não se enxergava como empreendedora. Bordados, crochês, pinturas e outras peças feitas à mão eram tratados muitas vezes como hobby, embora para algumas aquela produção já representasse uma importante — e até única — fonte de renda familiar.
Mudar essa percepção se tornou um dos desafios abraçados por Rafaela Dias Leite, que se aproximou do espaço e passou a atuar na mobilização e valorização das artesãs. Hoje, a Casa reúne 17 profissionais cadastrados, sendo 16 mulheres, e mais de 150 pessoas já passaram por formações no local nos últimos seis anos. Entre quem conclui as oficinas, Rafaela estima que 50% a 60% iniciam uma linha de produção a partir do que aprenderam.
O Sebrae ajudou a transformar o artesanato em oportunidade de negócio. Rafaela, que participa de capacitações da instituição desde 2019, articulou com o Sebrae Delas a realização de oficinas em Messias e mobilizou as artesãs para participar.
Conteúdos sobre precificação, gestão e empreendedorismo trouxeram mais segurança para calcular o valor das peças e contribuíram para uma mudança de percepção: mulheres que antes viam o artesanato como passatempo passaram a se reconhecer como empreendedoras. “Aprendemos que o valor que devemos cobrar deve ser justo, principalmente conosco”, afirma.

Cícera Marques, criadora da Casulo Artes, é um exemplo dessa transformação. Aluna da Casa do Artesão, ela aprimorou as técnicas e, com as capacitações do Sebrae, avançou na gestão do negócio, investiu em consultoria, organizou as redes sociais e buscou o registro da marca.
Antes tímida e avessa às câmeras, passou a expor em eventos do Sebrae, tornou-se palestrante em um Fórum de Empreendedorismo no IFAL Murici e hoje apresenta diariamente seu trabalho nas redes sociais. “Vimos a mulher introvertida dar lugar a uma mulher segura e confiante”, resume Rafaela.
O artesanato também ajuda a preservar a identidade de Messias. Técnicas tradicionais, como o trabalho com a fibra da bananeira, são transmitidas pelas artesãs mais experientes às novas integrantes, enquanto crochê e bordado à mão estão entre os ofícios mais procurados nas oficinas da Casa.
Para Rafaela, levar essa produção ao mercado significa gerar renda e manter vivos os saberes locais. “Fazer a economia circular através do artesanato é permitir que o saber e a cultura daquele município não sejam esquecidos. É uma perpetuação de quem somos, nossa cultura é nossa história”, afirma.

A transformação das artesãs também inspirou Rafaela a empreender. Depois de anos mobilizando outras mulheres, ela participou do Empretec, do Sebrae, em junho de 2025, e decidiu tirar do papel o próprio negócio. Em outubro, abriu o MEI para atuar com artesanato e instrutoria e, no mesmo dia, fez sua primeira venda: duas bolsas encomendadas por uma profissional do Sebrae.
Nascia a Realeza Alagoana. “Nesse dia eu tive certeza de que estava no caminho certo e que meu medo estava sendo vencido”, lembra. Para Rafaela, porém, crescer continua sendo um projeto coletivo: cada nova oportunidade para a marca também é uma forma de abrir espaço para as artesãs da Casa.
Essa lógica coletiva ajuda a explicar por que, para Rafaela, comprar de um pequeno negócio em Messias significa muito mais do que adquirir uma peça artesanal. É reconhecer o trabalho de mulheres que conciliam produção, casa e família e que, em alguns casos, encontram no artesanato sua única fonte de renda.
É também fazer o dinheiro permanecer no município, fortalecer a cultura local e criar condições para que mais mulheres transformem habilidades em autonomia. “Não me interessa crescer sozinha. Onde houver espaço para uma, haverá para as artesãs que estiveram nessa concepção”, afirma Rafaela.

Compre do Pequeno
Os pequenos negócios brasileiros são a grande força da economia brasileira. Com mais de 24,19 milhões de CNPJs – o que representa mais de 96% das empresas ativas -, o setor é responsável por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB). São mais de 13,5 milhões de microempreendedores individuais (MEI), 8,8 milhões de microempresas (ME) e 1,8 milhão de empresas de pequeno porte (EPP) atuando em todo o território nacional.
A força desse segmento é celebrada de forma especial em 5 de outubro, no Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa. Em comemoração à data, o Sebrae promove a campanha Compre do Pequeno, para valorizar o papel que esses empreendedores desempenham nas vidas das pessoas e de suas localidades.
Somente em 2026, o Brasil já registrou a abertura de mais de 4 milhões de novos pequenos negócios. A contribuição para a economia também se dá pela geração de empregos: em média, 80% dos empregos gerados estão no setor. Ao decidir comprar em um pequeno negócio, o consumidor contribui para a circulação de dinheiro dentro da própria comunidade, a geração de mais vagas de trabalho e o desenvolvimento da economia local.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias