A Operação Nêmesis, deflagrada após uma manifestação coletiva de apoio a uma organização criminosa dentro do sistema prisional de Campo Grande, chegou nesta quinta-feira (3) ao terceiro dia de ações. Depois de passar pela Máxima da Capital, a força-tarefa avançou para a Penitenciária Masculina de Regime Fechado da Gameleira 1, conhecida como “Supermáxima”, onde é realizada uma operação pente-fino.
A ofensiva começou na terça-feira (1º), no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho (EPJFC), a Máxima de Campo Grande. A operação foi desencadeada após apurações relacionadas a um episódio que ganhou repercussão nas redes sociais: uma festa de aniversário realizada dentro da unidade, com imagens que mostravam internos fazendo referências a uma organização criminosa e a presença de possíveis ilícitos.
A partir das apurações, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) determinou a transferência de custodiados envolvidos nas ocorrências para uma unidade de maior segurança. Por questões operacionais, o número de transferidos, os nomes dos internos e o destino deles não foram divulgados.
Nesta quinta-feira, as equipes concentram os trabalhos na Gameleira 1, unidade que abriga presos considerados de alta periculosidade, entre eles custodiados apontados como integrantes ou ligados à cúpula de organizações criminosas. A ação busca reforçar o controle interno, localizar possíveis irregularidades e impedir que as unidades sejam utilizadas para articulações relacionadas ao crime organizado.
A operação é conduzida pela Polícia Penal de Mato Grosso do Sul, com participação da Força Penal Nacional (FPN), da Polícia Penal Federal (PPF), de policiais penais da própria unidade, do Comando de Operações Penitenciárias (COPE) e da Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário (GISP).
Segundo a Agepen, a Operação Nêmesis faz parte de uma estratégia permanente de reforço da segurança nas unidades prisionais. Somente no primeiro semestre deste ano, foram realizadas 56 revistas em estabelecimentos penais de Mato Grosso do Sul, além dos procedimentos de segurança realizados rotineiramente com acompanhamento da área de inteligência.
As ações também ocorrem em paralelo ao combate à entrada de materiais ilícitos por drones. Desde 25 de agosto, policiais penais do Estado e integrantes da Força Penal Nacional realizam monitoramento e interceptação de aeronaves remotamente pilotadas nas unidades de Campo Grande e Dourados.
De acordo com a Agepen, esse trabalho já resultou na apreensão de dois drones, 14 celulares, cinco carregadores, um rolo de linha reforçada usado para transporte de cargas e aproximadamente 1,7 quilo de substância semelhante à maconha e 250 gramas de substância semelhante à cocaína. As equipes também impediram tentativas de entrega de materiais ilícitos por drones.