A Santa Casa de Campo Grande poderá mudar o perfil de atendimento e deixar de receber, gradualmente, casos de menor complexidade, para concentrar a estrutura em pacientes que precisam de atendimento especializado. A medida foi apontada pelo novo gestor do hospital, Luiz Alberto Kanamura, em entrevista ao Correio do Estado, publicada nesta terça-feira (6).
Segundo Kanamura, houve tratativas com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a Secretaria de Estado de Saúde (SES) e a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) para que a Santa Casa priorize pacientes de alta complexidade, como cardiopatas, neurológicos e queimados. Os casos que não se enquadrarem nesse perfil seriam direcionados para outros serviços da rede pública.
A Sesau, porém, contestou a informação e afirmou ao Correio do Estado que não houve acordo para que a Santa Casa passe a receber exclusivamente pacientes de alta complexidade.
A mudança discutida ocorre em meio à crise financeira do hospital. Além de rever o perfil dos atendimentos, a nova gestão trabalha com a meta de reduzir em 20% a folha de pagamento, atualmente em torno de R$ 16 milhões, como parte das medidas para diminuir os custos e equilibrar o fluxo de caixa.
Segundo dados citados pelo Correio do Estado, a Santa Casa ultrapassou em mais de R$ 10,6 milhões os tetos estabelecidos para atendimentos de alta e média complexidade em 2024. O hospital também acumula mais de R$ 544 milhões em déficit, conforme o balanço financeiro.
A gestão provisória de Kanamura foi determinada pela Justiça após o afastamento de integrantes da direção da Santa Casa. Entre as medidas determinadas está a prestação mensal de contas e a proibição de novos empréstimos bancários sem a participação das instituições que acompanham a intervenção.