Para muitos idosos, caminhar pela cidade não é uma tarefa fácil. Buracos nas calçadas, desníveis e a falta de estrutura em alguns trechos fazem com que atividades do dia a dia exijam mais cuidado. Dona Elizabeth, de 64 anos, conta que o momento de entrar no transporte coletivo é um dos mais complicados.
“Os degraus dos ônibus são muito altos. Tá muito alto. Para mim mesmo, que já tô nessa idade, toda vez que eu entro no ônibus, eu reclamo: “Meu Deus, que altura é essa?” E também tem muito buraco, né? A rua tá toda esburacada. Fizeram tanto esse piso tátil aí, que agora esburacou mais ainda o passeio.”
Uma queda pode resultar em fraturas e outras lesões mais graves, conforme a geriatra Maria Clara Valente.
“Num paciente idoso, ela pode provocar uma fratura ou até uma lesão mais grave. E além disso, depois de uma queda, a gente tem um problema muito relevante, que é o medo de cair novamente. Isso pode iniciar um ciclo de medo de menos movimento, mais perda de força e risco maior de ter uma nova queda.”
Mas melhorar o transporte não é suficiente se a cidade como um todo continua impondo barreiras. Para a arquiteta Alice Lopes, o planejamento urbano ainda é pensado muitas vezes a partir da circulação dos veículos e não das necessidades de quem caminha, especialmente os idosos.
“É uma cidade onde eu ou um idoso consiga caminhar até uma praça, pegar um transporte público de forma segura e até o mercado, encontrar amigos ou simplesmente passear, sem que o fato de ser idoso ou a idade ou qualquer limitação que a pessoa venha ter seja uma barreira.”
Envelhecer com autonomia é um direito do cidadão e as cidades precisam oferecer melhores condições de mobilidade e segurança.
Fonte: Radioagência Nacional – EBC