sexta-feira, 15 de maio de 2026

Documentário Pantanal Negro é lançado no Festival América do Sul

  • Publicado em 15 maio 2026

    por Daniel •

  • Com direção artística e produção executiva de Thayná Cambará, idealizadora e diretora da Bela Oyá Pantanal, foi lançado na noite desta sexta-feira (15), no Centro de Convenções de Corumbá, durante o Festival América do Sul, o documentário Pantanal Negro. Em um espaço historicamente voltado à comercialização de destinos, Pantanal Negro insere uma narrativa que tensiona essa lógica e amplia o entendimento sobre o território.

    “Esse trabalho vem construído já há pelo menos cinco anos. Eu tive a oportunidade de entrar pela primeira vez na casa de Dona Eunice, que é o terreiro do seu caboclo João das Matas, estive na casa de Pedro Héctor, que é a casa de Dona Carlinda, na casa de Seu Pai Oxalá. São tantas casas que eu até me preocupo em nominá-las, porque só no período de pós-doutorado do professor Mário Sá, eu adentrei mais de 50 casas acompanhando essas pesquisas, essas entrevistas. Isso foi me provocando a construir os circuitos de afroturismo. Então não envolve só os povos de terreiro, umbandistas e candomblecistas, mas também as comunidades remanescentes quilombolas que me abraçaram, Maria Teodora e também Família Osório, com as quais hoje já tem uma conexão, um vínculo maior. E aí a gente lança Corumbá Negra em maio, 13 de maio de 2023, e junho a gente fez um piloto do Circuito de São João. Eu tive a oportunidade de receber um grupo de afroturismo aqui, e estava nele a documentarista Adriana Farias e o Max Polimanti. E aí eu apresentei a ideia, o que poderia ser, eles abraçaram e aí eles construíram, né, toda essa proposta de roteiro, de produção, de construção, com qual a gente foi somando com a Eureka Filmes, com o MXP Produções, para ir levando essa obra mais além”, explica a diretora artística Thayná Cambará.

    Para Thayná, lançar o documentário no Festival América do Sul a deixou muito feliz: “Nossa, eu estou arrepiada desde cedo, nervosa, mas muito feliz. Muito feliz porque nada melhor do que começar aqui em casa, né? Nós tivemos nossa primeira exibição do documentário em Fortaleza, no Ceará, no Salão do Turismo, então oficialmente, é a nossa segunda exibição, mas a primeira no estado, a primeira na nossa casa e ter essas mulheres tão potentes aqui, ter minha família aqui, não tem como não falar em emoção, em recomeço e agradecer a todos que acreditaram nesse projeto, que é sempre sobre o coletivo”.

    Presente no lançamento, o diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Eduardo Mendes, disse que a Lei Paulo Gustavo, com cujos recursos o documentário foi realizado, é um divisor de águas na questão do audiovisual. “Hoje nós vamos presenciar isso, a prova viva, Pantanal Negro, um filme feito com recursos da Lei Paulo Gustavo, que é um recurso do Governo Federal, executado pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, que abrange agora um leque, um horizonte muito maior de produções de audiovisual no nosso estado. Eu acredito que esse filme tem uma dupla função, uma função primeiro de resgatar o seu povo, de mostrar o povo negro e também a função de poder levar isso através do áudio visual de qualidade para que as pessoas não só no Mato Grosso do Sul, mas no Brasil e no exterior possam conhecer essa nossa produção. Esse filme vai para os festivais, depois ele será utilizado também no RotacineMS, um programa do Governo do Estado, através do Cine Câmara e do Cine Povos Tradicionais, onde nós levaremos eles não só nas comunidades indígenas e quilombolas, mas também em todas as câmaras municipais para a exibição, para que o nosso povo do Mato do Sul conheça essa nossa realidade, essa nossa fonte de grandes valores aqui do Pantanal”.

    Uma das participantes do documentário, a mãe de santo Eunice Maria Pereira, de Corumbá, disse que o primeiro terreiro que a Thayná Cambará foi em Corumbá foi o terreiro dela. “E dali nós já passamos a nos conhecer todo dia. Então ela escutava eu cantar meus pontos lá no meu terreiro, então assim que ela, eu ia lá às vezes ela vai assim fazer uma coisa assim. Ela me chamava para perguntar as coisas sobre um ponto, os pontos, que eu já fiz 55 pontos. Eu gostei de ter participado, porque ela falou, vamos lá em casa, a senhora que é a primeira que tem que ir lá, não assistir, vamos lá e me buscaram lá, né? Então eu estou contente”. 

    Galeria de Imagens

    Fotos Elias Campos


    Fonte: Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul – FCMS