segunda-feira, 27 de abril de 2026

Cresce uso de canetas emagrecedoras e Anvisa avalia endurecer regras no País

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve discutir nesta semana uma proposta de norma para regulamentar o uso de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”, diante do aumento do consumo indiscriminado e da circulação de produtos ilegais no Brasil. A medida ocorre em meio à expansão do mercado e ao alerta de especialistas sobre riscos à saúde.

Os medicamentos, que incluem substâncias como semaglutida, tirzepatida e liraglutida, são indicados principalmente para tratamento de diabetes e obesidade, mas têm sido utilizados fora das recomendações médicas. Atualmente, a venda é permitida apenas com prescrição, mas o crescimento do mercado paralelo tem preocupado autoridades sanitárias.

Dados recentes da própria Anvisa indicam um descompasso entre a quantidade de insumos importados e o mercado formal. Apenas no segundo semestre de 2025, mais de 100 quilos de substâncias foram importados, o que seria suficiente para produzir cerca de 20 milhões de doses. No mesmo período, 1,3 milhão de unidades de medicamentos foram apreendidas por irregularidades, como transporte e armazenamento inadequados.

Além da atuação regulatória, a Anvisa firmou uma articulação com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF) para incentivar o uso seguro desses medicamentos. A iniciativa inclui ações educativas e troca de informações para conter práticas irregulares e reduzir riscos à população.

Especialistas destacam que, embora os medicamentos representem um avanço no tratamento da obesidade e do diabetes, o uso sem acompanhamento pode trazer consequências. Entre os efeitos colaterais mais comuns estão náuseas e desconfortos gastrointestinais, mas há registros de casos mais graves, como pancreatite.

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), o principal problema está na aquisição por vias ilegais e no uso sem orientação médica. A recomendação é que o tratamento seja feito com prescrição, acompanhamento profissional e aquisição em estabelecimentos regularizados, evitando riscos associados a produtos falsificados ou mal conservados.

A proposta em discussão na Anvisa deve estabelecer critérios técnicos mais rígidos para fabricação, prescrição e comercialização desses medicamentos, em uma tentativa de frear o crescimento do mercado irregular e ampliar a segurança dos pacientes no país.

 

Foto: Receita Federal/Agência Brasil