Publicado em 15 maio 2026
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por Daniel •
Nos acordes do berimbau, o ritmo bem marcado da música é a base para a coreografia da luta, que também é dança, a capoeira.
As oficinas de capoeira e maculelê realizadas em Corumbá, durante o Festival América do Sul, reuniu crianças e adolescentes na tarde desta sexta-feira (15), na Praça Céu do Bairro Jardim dos Estados.
“O maculelê é uma dança, e a música não usa berimbau e pandeiro, ela usa atabaque e agogô. É uma mistura a partir da fuga dos negros para as matas, e aí encontraram os indígenas. Já a capoeira é uma luta. A ginga é um disfarce, uma camuflagem, que o negro usava naquela época para poder treinar suas defesas”, concluiu o mestre Jaraguá, que ministrou a oficina.
Enquanto os alunos aprendiam e também aprimoravam os movimentos, as mães e familiares assistiam a aula e ainda registravam tudo.
A operadora de caixa Aline Melgar levou o filho Adriel, 7 anos, para a oficina. O menino já pratica capoeira há dois anos e ela garante que a rotina de treinos quatro vezes na semana só trouxe benefícios. “Ele é muito agitado, ativo. Então tudo que pode fazer de atividades extras ele faz, e é muito bom. Ocupa a mente, dá disciplina e também tira ele das telas, o que é ótimo”, disse ela enquanto filmava e tirava fotos do filho.
O aprendizado é nítido. Adriel mostrou, durante a entrevista, todos os movimentos que mais gosta – parafuso, estrelinha e macaco -, ao mesmo tempo que cantava as músicas da aula. “Eu gosto de todos os cantos e das acrobacias”, afirmou.
O mestre Jaraguá, responsável pela oficina, pontua que o aprendizado da capoeira e do maculelê também envolvem a herança cultural brasileira e o resgate histórico dos negros e povos indígenas.
“Os nossos jovens precisam apreender, compreender tudo que envolve nossa cultura, e a contribuição dos negros e indígenas. A capoeira está totalmente ligada a isso, pois os escravizados treinavam em forma de dança. E o maculelê é uma dança originária a partir da fuga dos negros e o encontro deles com os indígenas”, explicou o mestre.
Com origem associada à escravidão no Brasil, a capoeira teve início como uma luta para expressar resistência combinada a movimentos de dança. A capoeira é um conjunto cultural, luta em forma de dança que segue a musicalidade de instrumentos africanos de forte poder cultural e ancestral, e usa além do berimbau, também pandeiro, atabaque e agogô. As músicas com temas comuns que incluem escravidão e vida, são essenciais para o ritmo e estilo da luta.

Para os primos Cristiano Sanches, 19 anos, e Lorraine Justiniano, de 14 anos, a luta é uma forma de exercitar o corpo e aprender sobre o Brasil. “Eu pratico capoeira desde os oito anos. Além de ser uma arte marcial de defesa, também é importante para ensinar a história do nosso povo”, disse Cristiano. Lorraine participou de quase toda a roda da luta, sempre sendo chamada para os desafios, enquanto ele tocava e cantava. “Eu faço capoeira há cinco anos, mas toda vez que participo é um aprendizado novo”.
O contra-mestre Ailson Oliveira explicou sobre a importância do espaço para a capoeira e o maculelê no Festival América do Sul, alcançando a diversidade de público do evento. “Oficinas como estas são importantes para resgatar a história, e mostrar também para eles sobre identidade e resistência. Assim nos apropriamos e também valorizamos a cultura nacional”.

O aprendizado também envolve a expressão cultural afro-brasileira, pois a capoeira e o maculelê, além de luta e dança, também envolvem disciplina. Durante o Festival América do Sul, foi proposta uma vivência prática para aprender a dança folclórica de maculelê, uma das manifestações mais vibrantes da cultura afro-brasileira.
Na atividade educativa os participantes aprenderam a dança folclórica que simula uma luta usando bastões (chamados de grimas), acompanhados por atabaques e cantos tradicionais. A oficina foi uma das atividades das “Oficinas de Patrimônio” do Festival América do Sul, para fomentar a cultura de resistência, celebrar a identidade afro-indígena e integrar a comunidade com a história e a arte.
Natalia Yahn, Comunicação Governo de MS
Fotos: Saul Schramm, Secom/MS









