A cerimônia reuniu agricultores familiares, assentados, acampados, povos indígenas, representantes de comunidades quilombolas, sindicatos, movimentos sociais, pesquisadores, servidores públicos e autoridades. Autor da Resolução nº 1.415/2025 e presidente da Comissão Permanente de Agropecuária e Agronegócio, Landmark presidiu a solenidade e indicou 34 homenageados.
Falando em nome dos homenageados, Jonas Carlos da Conceição, liderança do Movimento Popular de Luta (MPL), afirmou que o reconhecimento deveria partir da sociedade para as pessoas que mantêm viva a luta pela terra.
“Na realidade, eu é que vim hoje bater palmas para vocês, que são as lideranças da luta pela terra e da luta pela democracia. Sem as lideranças dos acampamentos, da luta quilombola e indígena, não haveria luta. Hoje, quem está de parabéns são todos vocês”, afirmou.
Jonas também parabenizou Landmark pela criação da Medalha Raízes de Campo Grande e utilizou versos de Patativa do Assaré para defender uma reforma agrária capaz de garantir terra, dignidade e liberdade aos trabalhadores do campo.
“Quero ver, do Sul ao Norte, o nosso caboclo forte trocar a casa de palha por uma moradia confortável. Quero uma terra dividida para quem nela trabalha. Viva a luta pela terra e viva a reforma agrária”, declarou.
Landmark: “É a reforma agrária que abastece nossa mesa”
Durante sua fala, Landmark afirmou que a homenagem não é destinada apenas ao produtor rural, mas a toda a luta coletiva pela terra, pela reforma agrária, pela produção de alimentos e pela transformação social.
“Esta é a segunda vez que realizamos essa homenagem na Câmara. Não é apenas uma homenagem ao produtor. É uma homenagem à luta pela reforma agrária, dando visibilidade a uma pauta tão importante para Campo Grande e para Mato Grosso do Sul”, afirmou.
O vereador destacou que Campo Grande precisa avançar na criação de um cinturão verde, mas ressaltou que a proposta depende diretamente do fortalecimento da reforma agrária e da agricultura familiar.
“Não conseguimos discutir cinturão verde sem discutir reforma agrária. Precisamos aumentar a pressão sobre o Estado, o Governo Federal e o Município para termos um cinturão verde em Campo Grande. Se não fosse a agricultura familiar e a reforma agrária, não teríamos o arroz, o feijão, a mandioca e o tomate na nossa mesa. É a reforma agrária que abastece a nossa mesa”, declarou.
Landmark também criticou a criminalização dos movimentos que lutam pelo acesso à terra.
“Nós não invadimos nada. Nós ocupamos áreas improdutivas. Temos dado visibilidade a essa realidade em Campo Grande e em todo Mato Grosso do Sul. A reforma agrária é uma responsabilidade do Estado e uma necessidade para quem quer produzir e viver com dignidade”, afirmou.
“As autoridades aqui são aqueles que lutam”
A deputada estadual Gleice Jane (PT) afirmou que a solenidade reconheceu pessoas que trabalham diariamente para construir um Estado mais justo e produzir alimentos saudáveis.
“Esta é uma noite memorável. Uma noite em que homenageamos pessoas que estão construindo um novo país e um novo Mato Grosso do Sul. Reconheço em cada pessoa aqui a força da luta, a vontade de conquistar um pedaço de terra, plantar comida saudável e melhorar a vida da população”, afirmou.
Para Gleice, a luta pela terra é também uma luta por transformação social, saúde, dignidade e distribuição de oportunidades.
“Um Estado com tanta terra precisa dividir para que todas as pessoas tenham condições de viver dignamente, plantando, colhendo e se alimentando. As autoridades aqui são aqueles que lutam, sonham, acreditam e fazem desse sonho uma realidade”, destacou.
Agricultura familiar precisa de visibilidade
O deputado federal Vander Loubet (PT) parabenizou Landmark pela iniciativa e destacou que a solenidade ajuda a dar visibilidade aos movimentos sociais, aos assentamentos e às famílias responsáveis pela produção de grande parte dos alimentos consumidos nas cidades.
“Nós precisamos dar visibilidade à reforma agrária, à luta pela terra e a quem produz e traz para a nossa cidade grande parte dos produtos que consumimos. A produção em escala é importante para as exportações, mas aquilo que chega à nossa mesa é, em grande parte, produzido pela agricultura familiar”, afirmou.
Vander também defendeu investimentos para ampliar a renda dos pequenos produtores, com crédito, assistência técnica, tecnologia, agroindustrialização e espaços de comercialização.
“O grande desafio da reforma agrária é fazer daquele pequeno espaço uma área com capacidade de produzir e agregar renda. Precisamos garantir crédito, assistência e condições diferenciadas para que o agricultor familiar possa permanecer na terra e viver da sua produção”, declarou.
O parlamentar citou ainda a parceria entre seu mandato, Landmark e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul para a construção de espaços de comercialização, pesquisa e melhoria da produção agrícola.
Camila Jara defende terra, tecnologia e assistência
A deputada federal Camila Jara (PT) afirmou que a homenagem representa o reconhecimento à resistência de quem escolheu produzir de forma diferente e lutar pela democratização da terra.
“É um reconhecimento pela luta, pela resistência e por quem optou por construir um Estado e produzir alimentos de uma forma diferente”, disse.
Camila destacou que garantir acesso à terra é apenas o primeiro passo. Segundo ela, também é necessário assegurar tecnologia, sementes, equipamentos, assistência técnica e condições para ampliar a produção.
“Não basta entregar o pedaço de terra. Precisamos garantir tecnologia, sementes, equipamentos e todo o apoio técnico necessário. Quando se entrega terra para quem quer produzir, é possível garantir produção de qualidade e alimento para quem precisa”, afirmou.
A deputada também destacou o Assentamento Itamarati como exemplo da capacidade produtiva da reforma agrária e defendeu que as milhares de famílias que ainda aguardam terra em Mato Grosso do Sul sejam atendidas.
MDA e Agraer destacam importância da homenagem
A superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar em Mato Grosso do Sul, Marina Ricardo Nunes Viana, lembrou que também é mulher camponesa e assentada da reforma agrária e destacou a relevância de homenagear aqueles que lutam por terra e transformação social.
“Eu tive a honra de ser homenageada no ano passado, porque também sou uma mulher camponesa e assentada da reforma agrária. Homenagear hoje meus companheiros e companheiras que fazem a luta pela reforma agrária, pela terra e pela transformação social é de grande relevância”, afirmou.
Segundo Marina, a agricultura familiar garante alimento saudável e mantém vivas pautas fundamentais da classe trabalhadora.
“É importante ver pessoas produzindo alimento saudável e defendendo não apenas a pauta agrária, mas também a pauta da classe trabalhadora. Precisamos enaltecer e parabenizar o vereador Landmark e toda a equipe por esse reconhecimento”, acrescentou.
O novo diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), Fernando Luiz Nascimento, destacou que a agricultura familiar faz parte da atividade econômica do Estado, gera empregos e produz alimentos de qualidade.
“É um reconhecimento da importância da agricultura familiar. É uma atividade que emprega muita gente e produz alimento de qualidade para quem vive na cidade. Campo Grande tem assentamentos, crédito fundiário e um número expressivo de agricultores familiares”, afirmou.
Fernando também explicou o papel da Agraer na prestação de assistência técnica, preparação de documentos e apoio aos produtores.
“A Agraer trabalha especificamente com a agricultura familiar, levando assistência técnica, conhecimento e apoio para que o agricultor tenha renda e qualidade de vida na sua área, no seu sítio e no seu lote”, destacou.
Reconhecimento a quem enfrenta a luta diária
Entre os homenageados por Landmark estava Maria Regina Lira da Silva, trabalhadora rural que integra o Movimento Popular de Luta. Ela relatou a emoção de receber a primeira homenagem de sua vida.
“A gente faz parte de um movimento de luta. Estamos pedindo um pedacinho de terra para poder sustentar a nossa família. Para mim, não existem palavras para descrever esta homenagem. É a primeira vez na minha vida que recebo uma homenagem. Fico muito contente e muito feliz”, afirmou.
Outro trabalhador rural homenageado destacou que a medalha representa anos de sacrifício, resistência e organização coletiva.
“São oito anos de muito sacrifício e muita luta para chegarmos até aqui. Agradeço ao movimento e ao nosso grande parceiro Landmark, que incentivou a gente a chegar até aqui. Essa homenagem ajuda a levar o conhecimento do nosso movimento para a sociedade e conquistar apoio e reconhecimento”, declarou.
O vereador Marquinhos Trad, que secretariou a solenidade, também criticou o preconceito contra famílias acampadas e assentadas.
“Há um preconceito enorme contra aqueles que lutam pela terra e pela moradia. Criminalizam pessoas que deveriam ser acolhidas com respeito, porque são famílias que sobrevivem do suor do próprio trabalho”, afirmou.
Reconhecimento e compromisso
Landmark encerrou a solenidade afirmando que a medalha representa reconhecimento, mas também compromisso político com os agricultores familiares, movimentos sociais, povos indígenas, comunidades quilombolas e famílias que lutam pela terra.
“Este é um ano em que precisamos estar ao lado de quem defende os quilombolas, os indígenas, os acampamentos, a reforma agrária e a agricultura familiar. Precisamos estar ao lado de quem está do nosso lado e de quem respeita a nossa luta”, declarou.
O vereador reforçou que continuará defendendo políticas de assistência técnica, crédito, estradas rurais, comercialização, agroindustrialização, aquisição de alimentos e criação do cinturão verde em Campo Grande. “Viva a reforma agrária, viva a agricultura familiar, viva os nossos agricultores, os nossos sindicatos e os movimentos sociais. Reforma agrária já”, concluiu.
Renan Nucci
Assessoria de Imprensa do Vereador








