Mato Grosso do Sul vive uma fase de expansão dos investimentos privados que começa a mudar o perfil do mercado de trabalho. São R$ 115 bilhões em projetos concluídos, em execução ou previstos até 2030, com potencial para gerar pelo menos 18 mil empregos diretos. Com a chegada de novas indústrias e a ampliação das cadeias produtivas, porém, empresas já enfrentam dificuldade para encontrar profissionais qualificados.
A transformação ocorre principalmente com a industrialização da produção agropecuária. Em vez de concentrar a atividade na produção e exportação de matérias-primas, o Estado amplia a instalação de empreendimentos que processam produtos localmente, movimentando também setores como transporte, logística, construção civil, comércio e prestação de serviços.
Entre os municípios que concentram parte desse movimento estão Inocência, Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Chapadão do Sul. A indústria já responde por 22,4% do PIB de Mato Grosso do Sul, enquanto os investimentos se espalham por segmentos como celulose, bioenergia, agronegócio e logística.
Do total de R$ 115 bilhões anunciado na carteira de investimentos, cerca de R$ 27 bilhões já foram concluídos, R$ 60 bilhões estão em execução e outros R$ 29 bilhões correspondem a projetos previstos. A expansão aumenta a demanda por trabalhadores especializados e coloca a qualificação profissional entre os principais desafios para acompanhar o ritmo de crescimento.
Segundo a Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab), o Estado vive um mercado de trabalho aquecido. A diretora-presidente da instituição, Marina Hojaij Carvalho Dobashi, afirma que, em algumas áreas, o desafio deixou de ser apenas criar postos de trabalho e passou a ser preparar profissionais para ocupá-los.
A infraestrutura também é apontada como fator decisivo para a atração de novos empreendimentos. Estradas, energia, internet, saneamento e disponibilidade de mão de obra são considerados pelas empresas na escolha dos municípios. Ao mesmo tempo, o crescimento das cidades exige investimentos em moradia, saúde, educação e serviços públicos para acompanhar a chegada de novos trabalhadores e famílias.
Com a carteira de empreendimentos prevista até 2030, o desafio para Mato Grosso do Sul passa a ser transformar o volume de investimentos em oportunidades que sejam efetivamente aproveitadas pela população local. Para isso, a expansão econômica precisa caminhar junto com a formação profissional e a estrutura necessária para sustentar o crescimento das cidades que estão recebendo as novas empresas.