Uma discussão motivada por ciúmes terminou em uma tentativa de homicídio que chocou Campo Grande. A médica veterinária Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, foi presa em flagrante suspeita de jogar álcool e atear fogo no marido, um servidor público federal de 41 anos. A vítima sofreu queimaduras em cerca de 30% do corpo, está intubada, em coma induzido e permanece internada em estado grave em um hospital particular da Capital.
O caso ocorreu na manhã de segunda-feira (22), no bairro Santa Luzia, e foi presenciado pelos dois filhos do casal, de 9 e 22 anos. Conforme as investigações, o servidor, que atualmente mora em Brasília e visitava a família a cada 15 dias, estava em Campo Grande desde a última sexta-feira (19). O relacionamento era marcado por desentendimentos frequentes, agravados após a mudança do homem para a capital federal.
Segundo relato da filha mais velha à Polícia Civil, as discussões começaram durante a madrugada e voltaram a ocorrer por volta das 6h. Em meio ao conflito, ela ouviu o pai correndo pela residência e pedindo para que a esposa parasse. Ao sair do quarto, encontrou o servidor em chamas no quintal da casa. Desesperada, utilizou uma mangueira para apagar o fogo e ajudou a socorrê-lo até unidades de saúde, antes da transferência para o hospital onde segue internado.
Ainda de acordo com a jovem, o recipiente de álcool utilizado na ação foi escondido por ela com medo de que a mãe retornasse à residência e praticasse outro ato impulsivo. Depois do ocorrido, a suspeita teria demonstrado arrependimento e afirmado que não pretendia causar ferimentos tão graves ao companheiro.
Em depoimento, a veterinária admitiu ter jogado álcool na mochila do marido para impedir que ele deixasse a casa, mas negou a intenção de incendiá-lo. Segundo sua versão, as chamas começaram após ela acionar um isqueiro durante a discussão, momento em que o fogo atingiu a roupa da vítima.
A mulher afirmou ainda que desconfiava de um suposto relacionamento extraconjugal do marido em Brasília e buscava uma resposta sobre a possível traição. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do caso e a suspeita permanece presa, à disposição da Justiça.
O caso é tratado inicialmente como tentativa de homicídio qualificado. Os investigadores acompanham a evolução do estado de saúde da vítima, já que uma eventual mudança no quadro clínico poderá alterar o enquadramento criminal da ocorrência.








