O tradicional “Leite da Manhã”, oferecido pela Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) como forma de incentivar o consumo do produto lácteo e seus derivados, deu início às ações da Semana Estadual do Leite. O evento reuniu representantes dos produtores e empresários do segmento.
A pecuária de leite é a única atividade presente em 99% dos municípios brasileiros. Do ponto de vista social, é uma das principais praticadas por pequenos e médios produtores. Mais da metade do leite produzido no Brasil é oriundo de propriedades que se enquadram na Lei 11.326 de 2006 (Agricultura Familiar).
No âmbito econômico, a cadeia leiteira em Mato Grosso do Sul conta com aproximadamente 12 mil produtores e mais de 80 laticínios. O setor concentra sua produção nos polos Leste, Central e Sul. A atividade é predominantemente familiar, com rebanhos focados em adaptação ao calor. No período de seca os produtores sul-mato-grossenses contam com o subprograma Extra Leite (parte do Proape-MS), que bonifica em até 14% o volume de leite in natura produzido durante o período de estiagem, mediante critérios de qualidade. O desafio de quem atua na pecuária leiteira sul-mato-grossense é reduzir o custo de produção, com tecnologia sustentável e produto de qualidade.
Incentivos à cadeia produtiva
Segundo Fernando Nascimento, presidente da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), existem diversas ações de apoio e incentivo à cadeia produtiva, entre elas, assistência técnica, organização de revenda, resfriadores de leite, unidade de treinamento e distribuição de adubo orgânico. “A produção do leite está diretamente ligada aos agricultores familiares. Estivemos no assentamento Santo Antônio, em Itaquiraí, onde hoje os produtores estão com dificuldades por conta do período de seca. Graças a nossa atuação estamos conseguindo levar tecnologia para driblar essa situação”, explicou Nascimento.
Outro ponto importante, que deve ser discutido durante o IV Seminário Estadual do Leite, é o crédito. De acordo com Fernando Nascimento, foram disponibilizados na última safra – 2025/2026 – cerca de R$ 180 milhões do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).O produtor está recebendo de R$ 1,80 a R$ 2,20 pelo litro do Leite. De acordo com o empresário Renato Gasparini, dono de laticínio, os investimentos não param, apesar da crise. “Os incentivos fiscais e os programas de apoio ajudam a viabilizar as indústrias e aumentar a produção”, destacou. O gargalo da cadeia, conforme Gasparini é a logística. “Em termos de qualidade o nosso leite é muito bom. O problema é a distância que a gente anda para buscar o leite. O custo do frete acaba onerando os valores”, acrescentou.
O propositor do evento, deputado Renato Câmara (Republicanos), destacou que este ano existem muitas conquistas a serem comemoradas. “Temos o Proleite, que foi tirado do papel e cuja discussão começou aqui. São ações concretas que valorizam produtor e empresário. O ano passado era só expectativa, hoje é realidade”, argumentou. O deputado também citou a melhoria nos incentivos fiscais. “É um passo gigante na competitividade com outros Estados e que tem melhorado a cadeia produtiva do leite”, finalizou.
O assunto continua sendo debatido amanhã durante no Seminário Estadual do Leite, que faz parte das ações do IV Seminário Estadual do Leite com o tema “O Futuro do Leite no MS: Produtividade, Saúde e Impacto dos Novos Hábitos Alimentares”. Veja a programação:
Data: 28 de maio de 2026
Horário: 13h às 17h
Local: Plenário “Deputado Júlio Maia”- ALEMS
14h – 1º Painel
Plano Estadual – Proleite nos Programas de Melhoramento Genético e o Extra Leite
Palestrante: Orlando Serrou Camy Filho
14h40 – 2º Painel
“Do Campo à Clínica: O Papel do Leite Na Nutrição Moderna e a Alta Demanda Protéica com o uso das Canetas Emagrecedoras”
Palestrante: Jean Vinícius Calado dos Anjos
15h30 – Debate
16h – Milk Break








