sexta-feira, 8 de maio de 2026

Maicon Nogueira sobe o tom e mira possível crime ambiental em empreendimento milionário de Campo Grande

Em tempos em que boa parte da política se curva diante do poder econômico, o vereador Maicon Nogueira (PP) decidiu fazer o caminho oposto: colocar luz sobre um empreendimento cercado de denúncias ambientais graves e exigir transparência total da prefeitura e dos órgãos responsáveis pelo licenciamento.

Da tribuna da Câmara Municipal, Maicon foi cirúrgico. Sem gritaria, sem espetáculo barato, mas com firmeza. O parlamentar apresentou requerimento solicitando cópia integral do processo de licenciamento ambiental do empreendimento “TAJ Condomínio Resort”, localizado na Avenida Zilá Corrêa Machado, no Bairro Tiradentes.

E o que motivou o pedido não é pouca coisa.

Segundo o vereador, há relatos de soterramento de nascentes, destruição de Área de Preservação Permanente (APP) e até morte de animais silvestres durante a execução das obras. Se confirmadas, as denúncias colocam Campo Grande diante de um escândalo ambiental de grandes proporções.

Na tribuna, Maicon foi direto ao ponto:

“Não existe licença para destruir nascente. Não existe autorização para eliminar fauna. Não existe progresso verdadeiro construído em cima de degradação ambiental.”

A frase resume bem o sentimento de uma parcela crescente da população que já começa a questionar até onde vai o peso do dinheiro sobre as decisões do poder público.

Porque o problema não é o desenvolvimento. Campo Grande precisa crescer, gerar empregos e atrair investimentos. O problema começa quando grandes empreendimentos parecem operar numa espécie de “território livre”, onde a legislação ambiental vira detalhe secundário e a fiscalização desaparece convenientemente.

O requerimento apresentado por Maicon Nogueira está amparado na Constituição Federal, na Lei de Acesso à Informação e no Código Florestal. Não se trata de militância ambiental ideológica, tão comum em certos setores da esquerda. Trata-se de fiscalização parlamentar — obrigação básica de qualquer vereador sério.

E aqui cabe uma observação importante.

Durante muitos anos, parte da classe política brasileira transformou a pauta ambiental em instrumento ideológico. Isso acabou criando uma reação legítima da população contra exageros e narrativas alarmistas. Mas há uma diferença enorme entre ambientalismo militante e defesa objetiva da legalidade.

O que Maicon faz neste caso é exatamente cobrar que a lei seja cumprida.

Se houve licenciamento correto, estudos técnicos adequados e respeito às condicionantes ambientais, ótimo. Que tudo venha a público. Transparência protege tanto o meio ambiente quanto o empreendedor sério.

Agora, se houve omissão, flexibilização indevida ou destruição ambiental autorizada nos bastidores, a sociedade precisa saber.

Porque nascente soterrada não volta facilmente. Fauna destruída não se recupera por decreto. E quando o poder público fecha os olhos para isso, o prejuízo não é apenas ambiental — é moral, institucional e urbano.

Ao afirmar que “quando uma nascente é soterrada, a cidade inteira perde”, Maicon Nogueira tocou num ponto central que muitos fingem não enxergar: desenvolvimento sem responsabilidade vira degradação disfarçada de progresso.

Num cenário político frequentemente marcado por discursos vazios e vereadores que evitam enfrentar interesses poderosos, o posicionamento de Maicon chama atenção justamente por contrariar essa lógica de silêncio conveniente.

Agora resta saber se os órgãos ambientais terão coragem de apresentar tudo com transparência ou se Campo Grande verá mais um caso ser empurrado para debaixo do tapete da burocracia.

*Com Informações Assessoria de Imprensa.


Fonte: Câmara Municipal de Campo Grande – MS