terça-feira, 5 de maio de 2026

TJMS e Polícia Federal unem forças em conferência sobre combate ao crime organizado

Teve início na tarde desta terça-feira, dia 5 de maio, a IV Conferência de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (Cirajud 2026), evento promovido pela Polícia Federal em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, a Escola Superior da Magistratura de MS (Esmagis), a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), além dos Ministérios Públicos Estadual e Federal e das Polícias Civil e Militar.
A conferência segue até o dia 7 e reúne autoridades nacionais e internacionais para discutir cooperação jurídica e estratégias de enfrentamento ao crime organizado, com ênfase na integração entre instituições de segurança pública e do sistema de justiça.
Durante a cerimônia de abertura, no auditório da Amamsul, o presidente do TJMS, Des. Dorival Renato Pavan, destacou que a iniciativa é resultado da articulação entre o Judiciário e as forças de segurança, evidenciando o compromisso conjunto no enfrentamento ao crime organizado.
“A relevância da temática nos levou a acolher de imediato a proposta de realização desta conferência em MS. Esse diálogo entre as diversas instituições é pilar e fundamento para que as ações de combate ao crime organizado possam ter sucesso no Brasil”, disse.
O desembargador também chamou atenção para os desafios relacionados à lavagem de dinheiro e à ocultação de bens, ressaltando a necessidade de uma atuação firme do Judiciário. Para ele, decisões judiciais devem ser capazes de gerar resultados concretos para a sociedade.
Pavan defendeu ainda uma postura mais proativa na condução dos processos, com medidas que possibilitem não apenas a repressão ao crime, mas também a recuperação de ativos, como a alienação antecipada de bens. Ele avaliou que a troca de experiências e a consolidação de boas práticas contribuem para fortalecer o sistema de justiça.
“As forças de segurança têm avançado no combate ao crime organizado, e a construção de enunciados e boas práticas ajuda a orientar uma atuação cada vez mais integrada”, concluiu o magistrado.
Ainda durante a abertura, o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da Polícia Federal, delegado Dennis Cali, ressaltou a importância de realizar o evento em Mato Grosso do Sul, Estado que se destaca na recuperação de ativos ilícitos.
De acordo com ele, a conferência busca ampliar o debate técnico e a cooperação entre instituições, com foco na identificação, apreensão, gestão e destinação de bens vinculados ao crime. “A intenção é promover um diálogo aberto entre todas as instituições que atuam na ponta. Essa troca de experiências práticas é essencial para aprimorar o enfrentamento às organizações criminosas”, disse.
O delegado destacou também que investigações desse tipo devem priorizar o rastreamento de fluxos financeiros e a recuperação de ativos. “Avançamos nos últimos anos na gestão e destinação de bens apreendidos, especialmente com o apoio do Ministério da Justiça, mas ainda temos espaço para evoluir, e esse intercâmbio de informações é fundamental”, acrescentou.
A mesa de abertura contou também com a presença do desembargador Jean Marcos Ferreira, representando o TRF3; do procurador-geral de Justiça de MS, Romão Ávila Milhan Júnior; do coordenador-geral de Combate ao Crime Organizado da Senasp, delegado Getúlio Monteiro de Castro Teixeira; do secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira; e do presidente da Amamsul, juiz Mário Esbalqueiro Júnior.
Programação – Ao longo dos três dias, a conferência reúne palestras e painéis sobre atuação integrada no combate ao crime organizado. Entre os temas em destaque estão o papel do Judiciário na recuperação de ativos, inteligência financeira aplicada às investigações, análise de relatórios e cadeia de custódia de provas digitais.
A programação inclui ainda discussões sobre iniciativas como a Rede Recupera, a atuação de grupos especializados da Polícia Federal e estratégias para gestão e destinação de bens apreendidos. Também estão previstos grupos de trabalho para consolidar propostas e fortalecer a cooperação entre as instituições participantes.

Fonte: Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul – TJMS