Publicado em 15 abr 2026
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por Marcio Rodrigues Breda •
Quem ainda insiste em tratar o artesanato sul-mato-grossense como uma atividade restrita ao circuito regional talvez precise rever seus conceitos. Os números recentes ajudam a desfazer esse engano com certa precisão. Mais do que isso, revelam um setor que se expande quando encontra formas de dialogar com o público e o mercado, mas sem abrir mão de sua identidade.
A participação do Estado no 21º Salão do Artesanato – Raízes Brasileiras, realizado em Brasília entre 1º e 5 de abril, serve como ponto de partida para minha análise. Em cinco dias de evento, o estande sul-mato-grossense movimentou cerca de R$ 130 mil em vendas diretas. O resultado fala por si e diz tanto sobre a capacidade de produção quanto sobre a receptividade do público.
Foram mais de três mil peças comercializadas, distribuídas em tipologias que vão da cerâmica às biojoias, passando por madeira e fibras naturais. Não se trata apenas de variedade, mas de obras que carregam simbologia e marcas de pertencimento, algo que o consumidor parece disposto a reconhecer e valorizar.
Há, nesse movimento, um dado interessante: o artesanato deixa de ser visto apenas como expressão cultural e passa a ocupar um espaço econômico rentável. A equação não é simples, mas o resultado em Brasília sugere que tradição e mercado não estão em lados opostos.
A Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, responsável pela articulação da participação, interpreta o desempenho como sinal de competitividade. É uma leitura objetiva, sobretudo quando se considera o ambiente de disputa comercial que caracteriza feiras nacionais desse setor.
Mais do que o faturamento imediato, o evento cumpre uma função estratégica. Ao aproximar artesãos de consumidores, lojistas e intermediários, cria-se uma rede de contatos que pode se desdobrar em encomendas, parcerias e circulação continuada das peças — algo que não se mede apenas no caixa de uma feira.
O apoio do Programa do Artesanato Brasileiro também ajuda a dimensionar o lugar institucional que o setor vem ocupando. Ao reunir representantes de 21 estados e do Distrito Federal, o salão opera como vitrine e termômetro, expondo não só produtos, mas modelos de produção e inserção no mercado.
No final das contas, o case de Mato Grosso do Sul sugere uma reflexão. Ao ganhar visibilidade, o artesanato local reafirma seu valor cultural enquanto testa sua viabilidade econômica. Se depender da receptividade do público e da Fundação de Cultura, o setor tem diante de si um caminho aberto para crescer e ampliar mercados como um dos setores mais consistentes da economia criativa estadual.
Com reportagem de Alexsandro Nogueira










