quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Morte em Porto de Galinhas revela a crise que o destino enfrenta

Porto de Galinhas voltou a ocupar espaço no noticiário nacional após um episódio grave ocorrido no último domingo. Um turista de 32 anos, natural de São Paulo, foi morto a tiros após uma discussão dentro de um restaurante localizado em uma das áreas mais movimentadas do destino, frequentada tanto por turistas quanto por moradores.

De acordo com as informações divulgadas pela polícia e por testemunhas, o turista estava acompanhado de amigos quando se envolveu em um desentendimento com um homem que estava em uma mesa próxima. A discussão teria começado por motivos banais, escalou rapidamente e terminou de forma trágica. O suspeito sacou uma arma e efetuou disparos contra a vítima, que foi atingida na cabeça e morreu ainda no local, apesar das tentativas de socorro feitas por pessoas que estavam no restaurante. Após o crime, o autor dos disparos fugiu e o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil de Pernambuco como homicídio.

O episódio causa comoção não apenas pela violência em si, mas principalmente pelo contexto em que acontece. Porto de Galinhas é um dos destinos de praia mais conhecidos e vendidos do Brasil, tradicionalmente associado a descanso, lazer e viagens em família. Quando um crime dessa gravidade ocorre em um ambiente turístico, o impacto vai muito além da tragédia individual.

Desde os episódios recentes envolvendo conflitos entre turistas e prestadores de serviço, denúncias de abordagens agressivas, cobranças consideradas abusivas e vídeos que viralizaram nas redes sociais, o destino vem enfrentando um desgaste crescente de imagem. O caso do último domingo aprofunda ainda mais essa crise.

Esse desgaste, inclusive, já é claramente percebido pelo público. Ontem, quando publiquei um vídeo nas minhas redes sociais comentando sobre o caso, recebi uma enxurrada de comentários de pessoas afirmando que não voltariam a Porto de Galinhas, ou que já haviam decidido cancelar ou trocar o destino. São relatos espontâneos, vindos de turistas comuns, famílias e viajantes frequentes. Isso mostra, de forma muito clara, o quanto o destino está hoje “queimado” na percepção de parte do público. E, no turismo, a confiança é um ativo frágil: perde-se rápido e leva anos para ser reconstruída.

Na prática, esse impacto já começa a aparecer também no mercado. Profissionais do setor relatam cancelamentos de viagens e mudanças de rota, com turistas optando por outras praias do Nordeste que hoje transmitem maior sensação de segurança, organização e tranquilidade.

Sempre que falei sobre lugares que talvez não voltaria, Porto de Galinhas nunca esteve na minha lista. Mas, ao longo do tempo, eram as próprias pessoas que vinham trazendo relatos preocupantes sobre o que vinha acontecendo na região. Hoje, infelizmente, esses relatos passam a ser confirmados por fatos.

Porto de Galinhas continua tendo belezas naturais impressionantes e uma estrutura turística relevante, mas precisa enfrentar com seriedade os problemas que vêm se acumulando. Segurança, ordenamento turístico e fiscalização não são opcionais. São fundamentais para a sobrevivência do turismo local.

Negar a crise não resolve. Encarar a realidade, sim.

turismo.ig.com.br