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Vírus de herpes e HPV são encontrados em neandertal de 50 mil anos

Augusto Dala Costa

Vírus de herpes e HPV são encontrados em neandertal de 50 mil anos

Um estudo publicado pelo biólogo brasileiro Marcelo Briones revolucionou nosso entendimento sobre os neandertais
e as doenças que os afetavam — na verdade, a novidade está justamente na detecção pioneira de vírus na espécie prima. O pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) fez a publicação no periódico científico Viruses
em abril.

Para encontrar evidências dos vírus nos Homo sapiens neanderthalensis
, Briones buscou um banco de dados americano, o Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia (NCBI), que possui genomas de neandertais
da caverna de Chagyrskaya, na Sibéria, estando entre as coletadas mais recentemente pela ciência.

Parte da novidade também está na idade dos restos — eles possuem 50 mil anos —, especialmente dos vírus. O recorde bate até o da identificação de vírus em humanos modernos
( Homo sapiens sapiens
), já que a mais antiga tinha apenas 31 mil anos. Nos fósseis neandertais, foram vistas evidências de herpesvírus
, papilomavírus humano (HPV) e adenovírus.


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Vírus nos neandertais e sua extinção

O biólogo brasileiro teve de prestar muita atenção aos detalhes para seu estudo. As sequências genômicas dos neandertais, por serem muito antigas, são muito fragmentadas — e trechos curtos costumam ser descartados como lixo por cientistas. O problema é que os vírus possuem genomas naturalmente menores e que se quebram com maior facilidade, então sequências de DNA pequenas podem muito bem ser virais
.

Foi nesses pequenos pedacinhos de genoma que a mágica aconteceu. Os fósseis têm seu material genético extraído com uma broca pequena, segundo Briones, e trazem o DNA original do osso do neandertal
, bem como de tecidos adjacentes e sangue que fluía pelo osso. É no sangue que qualquer vírus presente poderia ser identificado.

Para separar o patógeno antigo de infecções mais recentes possivelmente trazidas por outros pesquisadores ou animais carniceiros, a equipe da Unifesp usou ferramentas bioinformáticas e estatísticas.

A boa recepção do artigo até mesmo em veículos internacionais vem da sua importância para o entendimento da extinção da nossa espécie prima. Neandertais
eram maiores, mais fortes e de cérebro mais avantajado — nossos ancestrais dificilmente os matariam em confronto direto. Eles, no entanto, se adaptaram aos vírus europeus e asiáticos ao longo dos 200 mil anos de vida nesses continentes.

Os H. sapiens
sapiens
que vieram da África há cerca de 80 mil anos e conviveram com os neandertais trouxeram vírus novos que poderiam não ser fatais para nós, mas, para os primos, sim.

Mesmo quando não letais, os patógenos ainda poderiam ser muito problemáticos para a espécie — o adenovírus, por exemplo, causa sintomas de resfriado; o herpesvírus, herpes labial
; e o papilomavírus, câncer e verrugas genitais, este último sendo transmitido sexualmente.

Qualquer doença que atrapalhe o processo de reprodução e de seleção natural é ruim para espécies em evolução. A desvantagem piora quando sabemos que humanos modernos e neandertais acasalaram
entre 47 mil e 7 mil anos atrás: provavelmente passamos doenças e complicamos a vida da espécie próxima.

O papel das doenças ainda é especulado na extinção dos neandertais, mas o estudo aprofunda e abre possibilidades para esse entendimento e para o conhecimento da ciência sobre os vírus, o que poderá ajudar, no futuro, a combatermos melhor os patógenos no mundo moderno.

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.

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