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Qual a diferença da febre oropouche com outras arboviroses

Fidel Forato

Qual a diferença da febre oropouche com outras arboviroses

Historicamente, a febre oropouche é uma doença concentrada na região Norte do Brasil, especialmente em áreas próximas à floresta amazônica. Por conta disso, a maioria das pessoas pouco sabe sobre as diferenças e semelhanças dessa infecção quando comparada com outras arboviroses, como dengue, chikungunya, zika
e febre amarela urbana.

Para entender, as arboviroses compõem um grupo de doenças causadas por arbovírus. Em outras palavras, vírus que são transmitidos por artrópodes, os insetos
. Isso significa que mosquitos ou mesmo moscas contaminadas podem transmitir essas doenças.

Outra semelhança importante entre todas essas doenças é que a febre costuma ser um sintoma central
, como ocorre na febre oropouche e na dengue, o que pode dificultar o diagnóstico.


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No entanto, exames de laboratório podem confirmar, de fato, qual infecção causa o quadro. No caso da febre oropouche, o agente infeccioso responsável é o Orthobunyavirus oropoucheense
(OROV), identificado pela primeira vez nos anos 1960, em um animal silvestre.

Semelhanças da febre oropouche com dengue

A febre oropouche “pode produzir sintomas muito parecidos com a dengue, a zika e a chikungunya”, explica Andrea Almeida, médica infectologista do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), para o Canaltech
.

Na maioria das arboviroses, “o paciente começa a sentir febre, dor de cabeça, dor nos músculos, muito mal-estar, dor nas juntas — que é nas articulações — náuseas e diarreia”, detalha a médica.

Como “os sintomas são muito parecidos”, é fácil confundir qual vírus provoca o quadro infeccioso. Inclusive, Almeida conta que “não existe nenhuma característica que diferencia a febre oropouche das outras arboviroses” em relação aos sintomas, como a dengue.

A exceção pode ser a picada, se o paciente for infectado a partir da picada de um maruim (ou mosquito-pólvora). Isso porque a região afetada costuma coçar e irritar bastante, desencadeando processos alérgicos. Entretanto, o indicativo nem sempre pode ser usado para confirmar o quadro.

Como diagnosticar a febre oropouche?

Com sintomas inespecíficos, o diagnóstico depende do histórico recente da pessoa. “É muito importante saber de onde veio o paciente para que a gente possa pensar na existência dessa suspeita”, detalha a médica sobre o processo de diagnóstico.

Mais uma limitação nesse processo é que não são todos os locais que realizam os exames específicos da oropouche — isso ocorre pelo fato da doença ter ficado, muitos anos, centrada em uma região específica do país, o que começa a mudar só agora.

Então, o exame mais acessível é o teste de sorologia, ou seja, uma análise do sangue do paciente para identificar anticorpos contra o vírus da febre oropouche. Dependendo da localidade, pode ser solicitado o exame de RT-`PCR, considerado padrão-ouro no diagnóstico, já que investiga e analisa o material genético do vírus.

Diferença com outras arboviroses

Enquanto os sintomas são bastante parecidos, as diferenças ficam mais claras quando se analisa o vetor (o transmissor da doença). No Brasil, a dengue, a zika e a chikungunya são arboviroses transmitidas, na maioria das vezes, pelo popular mosquito da dengue ( Aedes aegypti
). Esse mosquito é bastante urbano, e a chance de ser picado cresce dentro das cidades. No entanto, ele não transmite a febre oropouche
.

No caso da febre oropouche, a maioria das infecções ocorrem em áreas de mata no que é conhecido como o ciclo silvestre da doença. “O mosquito Culicoides paraenses
, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, é considerado o principal transmissor nesse ciclo”, afirma o Ministério da Saúde, em nota.

Além dessa espécie, outros mosquitos podem transmitir a doença nas áreas de flroesta, como Coquilletti diavenezuelensis
e o Aedes serratus
. Eles podem picar animais silvestres e, possivelmente, transmitir o vírus aos humanos.

Dentro das cidades, no ciclo urbano, a Saúde destaca novamente o papel do maruim como vetor principal da doença. No entanto, o Culex quinquefasciatus
também consegue transmitir a febre oropouche.

Risco da doença no Brasil

O vírus que causa a febre oropouche
já foi isolado em diferentes lugares do país, como São Paulo e Rio de Janeiro. Então, “existe a possibilidade, sim, da doença vir a se tornar mais urbana”, pontua a médica Almeida.

Independente do cenário, investimentos na vigilância epidemiológica e na conscientização da doença são importantes. Além disso, é preciso desenvolver medicamentos e até vacinas contra a febre oropouche, já que ainda não existe um tratamento específico, além de repouso, hidratação e remédios para aliviar os sintomas.

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.

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