Por que o Rio Grande do Sul tem tantos eventos climáticos adversos?
Enchente. Tornado. Tremores de terra. O Rio Grande do Sul se depara com uma série de eventos climáticos extremos acontecendo de forma simultânea. Mas o que torna o estado tão suscetível a esses fenômenos? A resposta a essa pergunta é uma soma de fatores, que vão desde a geografia local às mudanças climáticas que afetam todo o planeta.
No domingo (12), um tornado se formou no município gaúcho de Gentil, no norte do estado, formado a partir de nuvens de tempestade associadas à umidade em diversos níveis da atmosfera
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A passagem do tornado foi registrada em vídeo por moradores, e intensificou a preocupação que já se tinha sobre a situação do RS. A Defesa Civil publicou, na ocasião, que não houve registro de feridos.
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Em paralelo, na segunda-feira (13), tremores de terra
atingiram alguns bairros do município de Caxias do Sul. Enquanto alguns moradores relataram ter ouvido um grande barulho, outros sentiram a casa balançar.
O que acontece é que entre os meses de maio e junho, grande parte do país tem uma condição de tempo seco. No Sul, é diferente: a região é uma das únicas que recebe chuva. A região central do Brasil passa por um sistema de alta pressão intenso. No Sul, as frentes frias são barradas por essa área de alta pressão ao tentarem avançar para o Sudeste.
“Estamos no final do fenômeno El Niño, mas dessa vez a conjunção de três fatores foram determinantes: a passagem de uma frente fria é normal nesta época do ano na região. No entanto, desta vez ficou estacionária, devido a um bloqueio atmosférico no Brasil Central promovido por um sistema de alta pressão”, explica o professor de geografia Alexandre Groth, da Plataforma Professor Ferretto.
“No estado do Rio Grande tivemos um ‘cavado’ — sistema de baixa pressão para onde convergem os ventos — vindo umidade da Amazônia, pelo oeste, e do Oceano Atlântico, pelo leste”, completa.
Eventos climáticos extremos
Em relatório, o governo do Rio Grande do Sul mostra que o estado enfrentou dez eventos climáticos extremos em menos de um ano:
- 15 de junho de 2023: Caraá e Maquiné
- 13 de julho de 2023: Sede Nova
- 2 a 6 de setembro de 2023: Vale do Taquari
- 23 de setembro de 2023: Bagé
- 26 a 29 de setembro de 2023: Rio Grande e Pelotas
- 04 de outubro de 2023: São Borja, Itaqui, Uruguaiana
- 03 de novembro de 2023: Barra do Rio Azul
- 17 de novembro de 2023: Vale do Taquari, do Caí e Serra
- 17 a 18 de janeiro de 2024: Vales
- 26 de abril a 5 de maio de 2024: Centro, Vales, Serra
De acordo com Groth, esses eventos climáticos extremos devem acontecer com cada vez com mais frequência e intensidade.
Mudanças climáticas
Segundo o especialista, parte dessa estimativa se dá por conta das mudanças climáticas, que ele define como fenômenos complexos desencadeados pela interação de vários fatores, incluindo atividades humanas e processos naturais.
“Esse aumento da temperatura média do planeta está causando alterações nos padrões de precipitação e na ocorrência de eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e ondas de calor intensas. É fundamental compreender e abordar esses padrões climáticos em evolução para mitigar seus impactos e promover a resiliência das comunidades afetadas”, pondera.
Posicionamento geográfico
Mas vale notar que o posicionamento geográfico de Porto Alegre
também é um dos fatores responsáveis por tornar a região mais suscetível a eventos climáticos. Isso porque a topografia da capital do RS envolve a mistura de planícies, planaltos e áreas montanhosas, e as planícies facilitam o acúmulo de água durante os períodos de chuva intensa.
O ponto de maior represamento das águas coincide com a maior densificação urbana, e ajuda a explicar as grandes enchentes que fazem parte da história do Lago Guaíba e de Porto Alegre.
Assim, uma junção de aspectos acaba tornando o Rio Grande do Sul suscetível a eventos climáticos extremos, como foi o caso do tornado, do tremor de terra e da enchente.
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