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Os bizarros filmes perdidos de Dragon Ball

André Mello

Os bizarros filmes perdidos de Dragon Ball

A nova onda de grandes adaptações de animes e mangás
vem trazendo ótimas produções, como
One Piece

, mas sempre quando se fala “live action de anime”, o trauma sempre fala mais alto e vem à mente Dragon Ball Evolution,
o terrível filme que tentou levar para os cinemas a saga de Goku — mesmo que existam outras adaptações tão ou mais vergonhosas que ela.

O longa americano para a história criada por Akira Toriyama se tornou exemplo do que não deveria ser feito ao tentar levar um anime ou mangá para o cinema e TV, algo que muita gente entendeu bem, enquanto outras continuam falhando miseravelmente.

Só que, provando que nada que já era ruim não poderia ficar pior, Evolution
não foi a primeira tentativa de levar Goku e a história da busca pelas esferas do dragão para o cinema com atores de carne e osso. Sim, Dragon Ball
não teve apenas uma adaptação, mas três — e todas elas muito peculiares.


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Tailândia e sua produção não-oficial

Sempre quando o assunto é filme live action de Dragon Ball
, além da horrorosa versão de Hollywood, lançada em 2009, muitos se recordam de uma produção tailandesa chamada Dragon Ball: O Início da Magia
. O filme foi feito de maneira não oficial, simplesmente mudando alguns elementos e correndo para o abraço como se direitos autorais fossem uma grande piada.

Essa adaptação segue muito superficialmente o início de Dragon Ball
, mostrando como Goku conhece Bulma e partiu com ela em busca das esferas do dragão. É notável o quão baixo é o orçamento do filme, que transforma boa parte das cenas de ação em tiroteios ou que fazem o ator que interpreta o Goku voar de maneira esquisita pelo cenário.

Outro elemento que chama a atenção na produção tailandesa é a falta de humor do filme. Existem tentativas de piadas, mas tudo é muito ruim, além de situações que parecem bastante ofensivas, como Oolong perseguindo uma menor de idade para tentar casar com ela.

Toda a produção é bastante equivocada e o único destaque positivo é na adaptação do Mestre Kame, com direito à casa numa ilha, casco de tartaruga nas costas e comportamento questionável sempre quando vê uma mulher.

Muitos usam esse filme e Dragon Ball Evolution
para provar que adaptar Dragon Ball
para o cinema é tarefa impossível, pois tudo é tão maluco e com uma identidade visual tão característica que não funcionaria com atores. Mesmo com adaptações recentes mostrando que é possível levar um anime para o universo live action sem tantos problemas, esse sentimento sempre esteve presente.

Só que existe uma outra tentativa, um pouco mais antiga, e muito melhor, que mostra que Dragon Ball
, mesmo sendo esquisito, pode render um filme com atores bem divertido.

O Goku coreano

Em 1990, foi lançado na Coreia uma versão também não-oficial de Dragon Ball
nos cinemas do país. Dragon Ball: Ssawora Son Goku, Igyeora Son Goku
(algo como Dragon Ball: A Luta de Son Goku e a Vitória de Son Goku
em uma tradução direta) é uma adaptação bastante fiel da primeira animação da saga de Son Goku, embora também com o orçamento de uma caixa de paçoca.

Mostrando o jovem alienígena, com direito a rabo e cabelo igual ao anime, o longa mostra seu primeiro encontro com Bulma e a busca pelas esferas do dragão. Pelo caminho, eles encontram Oolong, Mestre Kame e Yamcha, que acabam influenciando sua jornada. Ao contrário do filme tailandês, tudo é feito de um jeito bastante sincero, que abraça os momentos ridículos da obra original e entrega ação e humor na medida certa.

O filme cobre basicamente toda a história até a primeira vez que Shen Long é invocado pelas Esferas do Dragão. O longa claramente não tem um orçamento gigantesco, mas compensa tudo com criatividade e uma boa dose de cara de pau, como colocar o Puar, amigo de Yamcha, literalmente como um bicho de pelúcia.

Com uma 1h45 de duração, é possível se divertir bastante, já que o jovem ator coreano que interpreta Goku consegue passar muito bem a ideia inocente e completamente sem noção do jovem Saiyajin, assim como a atriz que interpreta Bulma, que protagoniza boas cenas de humor com ele.

As cenas de ação lembram bastante os tokusatsus
dos anos 80, com coreografias até consideravelmente competentes. Até mesmo a Nuvem Voadora do Goku aparece e, ao contrário da produção tailandesa, não tem o visual de um clarão amarelo na tela.

Dragon Ball: Ssawora Son Goku, Igyeora Son Goku
está longe de ser um filme excelente e, em vários momentos, parece ser o projeto de fãs de Dragon Ball
que acabou estreando em um cinema, mas talvez a graça dele esteja realmente nisso.

Ele mostra que Dragon Ball
funcionaria em uma grande produção cinematográfica, desde que os responsáveis não tivessem vergonha da obra criada por Akira Toriyama. Dragon Ball Evolution
deixou claro que tentar adaptar a história de um jeito “normal” é ruim. Abraçar a galhofa e a fantasia talvez seja o ideal.

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.

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