Um dos destaques da Netflix em abril
, a série O Sequestro do Voo 601
chega ao streaming
para dar luz a mais uma história real pouco conhecida pelos brasileiros, mas que mostra bem o peso da instabilidade política pela qual os países da América Latina passaram na metade do século passado. Dirigida por C.S. Prince e Pablo González ( O Maior Assalto
), ela reconta o crime acontecido em 30 de maio de 1973, quando dois guerrilheiros armados sequestraram o voo HK-1274 da SAM Colômbia, exigindo que o governo colombiando liberasse, ao menos, 50 presos políticos.
O avião saiu de Bogotá, na Colômbia, com destino a Medellín. Só que, quando fez sua primeira parada em Pereira, o piloto Jorge Lucena e os 84 passageiros foram surpreendidos por dois homens armados — Eusébio Borja e Francisco Solano Lopez — que anunciaram o sequestro. O objetivo deles era aterrissar a aeronave em Aruba, pedir um resgate de US$ 200 mil em dinheiro e a libertação dos presos.
Mais tarde, foi descoberto que os criminosos eram paraguaios e não tinham nenhuma filiação política. Eles apenas usaram essa estratégia para despistar a polícia e as autoridades.
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Na época, o sequestro chegou a ser relacionado com o Exército de Libertação Nacional (ELN), um grupo de guerrilha urbana que operava na Colômbia na década de 1960 e 1970, mas logo foi descoberto que isso não era real.
Por essas e outras razões, os líderes do governo da Colômbia se recusaram a conversar com os bandidos, deixando essa missão para os negociadores da própria companhia aérea. Ignacio Mustafa, o advogado da empresa, ofereceu US$ 20 mil pela liberação dos passageiros, mas os paraguaios não aceitaram. Enquanto isso, eles continuam obrigando o piloto a mover o avião de um aeroporto para outro, para evitar que fosse feita uma operação de resgate.
Quando a notícia do sequestro, finalmente, estourou na mídia, eles decidiram liberar 40 reféns, entre eles mulheres e crianças, para passar a mensagem de que não queriam machucá-los.
O fim do sequestro
Quando retornaram a Aruba, as autoridades locais ofereceram um novo resgate, dessa vez no valor de US$ 50 mil. Embora o montante ainda estivesse muito aquém do que Lopez e Borja gostariam de receber, eles aceitaram a oferta. A liberação dos reféns foi feita durante a troca de tripulação, quando eles orientaram que o novo capitão, Hugo Molina, pousasse em diferentes locais para que pudessem ir desembarcando os passageiros.
Com isso resolvido, os paraguaios ordenaram que o avião fosse para Buenos Aires, e que Molina desligasse todas as comunicações para que eles conseguissem desembarcar e fugir. O truque, no entanto, foi fazer a aeronave pousar em dois locais antes: Resistência, quando um dos bandidos fugiu e Assunção, quando o outro desembarcou.
Finalmente na capital argentina, o avião chegou apenas com a tripulação. Quando perguntado pelos bandidos, Molina disse que fez um acordo de cavalheiros e não revelou seus destinos. O capitão fez isso para evitar que a dupla levasse as aeromoças como reféns.
O passo em falso
Como quase todos os sequestradores, Borja e Lopez usaram máscaras para esconder seus rostos, mas um passo em falso ajudou a polícia a identificá-los: a breve interação que tiveram com Luis Reategui, um dos passageiros e famoso ciclista.
Essa pista deu aos policiais a certeza de que a dupla era membro de uma comunidade esportiva. De fato, eles pertenciam a uma pequena colônia de imigrantes e foram para Colômbia para tentarem ser jogadores de futebol. O sonho não deu certo e, tempos depois, decidiram sequestrar um avião para montarem um pequeno negócio com o valor do resgate.
Acontece que Lopez foi preso na Colômbia e extraditado para o Paraguai, onde foi condenado a cinco anos de detenção. Borja teve mais sorte e seu paradeiro continua desconhecido até hoje.
60 horas de duração
Assim como o filme nacional
O Sequestro do Voo 375
, que mostra um dos piores crimes da aviação brasileira, o que aconteceu na Colômbia também deixou marcas no país.
Ele foi o mais longo sequestro aéreo do local, com duração de 60 horas e comprovou a falta de segurança nos aeroportos colombianos. Felizmente, não deixou vítimas fatais, graças à expertise e tranquilidade com que os pilotos e as aeromoças conseguiram conduzir a situação. A trama, inclusive, destaca como toda a tripulação foi importante para que resolver o caso.
Agora, todos esses e outros detalhes serão contados em seis episódios na série da Netflix
que estreia dia 10.
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