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Mulher-Maravilha | A trajetória polêmica de seus trajes em quase 85 anos

Claudio Yuge

Mulher-Maravilha | A trajetória polêmica de seus trajes em quase 85 anos

A Mulher-Maravilha celebra 85 anos de vida em 2026, e, ultimamente, seus trajes voltaram a causar burburinho entre os leitores e criadores, principalmente por conta de uma coleção de ilustrações lançada recentemente como variantes de capas do título mensal da DC Comics. O Canaltech
aproveita o tema para mostrar a evolução de seus uniformes, e que, na verdade, eles sempre foram motivo de discussões polêmicas.

Antes de mais nada, é preciso responder à pergunta: “Por que os trajes da Mulher-Maravilha sempre foram motivo de polêmica?” Para ser bem direto e resumido, a principal explicação recai sobre os costumes de cada época, pois Diana Prince
sempre refletiu os anseios, críticas e pensamentos da sobre a imagem e o papel das mulheres na sociedade.

Em 2016, quando a Mulher-Maravilha completou 75 anos, o site Halloween Costumes fez um infográfico mostrando as mudanças de trajes de Diana Prince, então vou aproveitar para resumir essa jornada que tanto causa discussão até hoje.


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Mulher-Maravilha da Era de Ouro

Quando a Mulher-Maravilha apareceu pela primeira vez em 1941, o mundo estava em plena Segunda Guerra Mundial. Esse contexto destaca aquele papel conservador da dona de casa que cuida dos lares, pois muitos pais e maridos deixaram suas famílias para fortalecer os Estados Unidos no conflito.

Nos quadrinhos, e na cultura pop em geral, as mulheres costumavam ser “donzelas em perigo”, e não tinham papel ativo no combate ao crime. E aí você pode elencar vários fatores que, combinados, já não favoreciam a própria estreia da personagem: período de crise mundial, falta de informação uma época extremamente conservadora, movimento feminista com dificuldade de se fortalecer no século XX e o patriarcado mantendo tabus sobre sexualidade.

Então, juntando esses aspectos, dá para imaginar como foi a introdução de uma mulher independente e questionadora; uma guerreira amazona vestindo uma bota com saia e um corpete, que, mesmo comportado, mostrava os braços por completo, assim como parte das pernas — algo considerado vulgar no período.

O design criado pelo ilustrador H. G. Peter entre 1941 e 1949, época em que os trajes da Mulher-Maravilha revelaram ainda mais seu corpo, com uma bermuda e uma sandália aberta exibindo bastante suas pernas, só conseguiu sobreviver graças à maneira com que o criador de Diana Prince, William Moulton Marston, caracterizou a amazona.

Diana sempre estava envolta em correntes, usando braceletes que pareciam algemas, e seu comportamento era ambíguo, de forma que ela sobreviveu justamente por parecer atender aos fetiches e desejos dos homens. Na verdade, Martson sugeria isso, mas fazia o contrário, mostrando que a amazona é quem derrubava tabus e questionavam os ambientes sempre dominados por machos.

Mulher-Maravilha da Era de Prata e à Era de Pós-Crise

Da
Era de Prata

, em 1959, até a Era de Bronze
, em 1972, a roupa de Diana continuou encolhendo. Inicialmente, ela ganhou saltos e uma sandália mais chamativa. Ao longo dessas décadas, ela ganhou suas famosas botas de salto alto.

Além disso, passou a usar uma cabeleira que adiciona mais charme à amazona. E seu shortinho virou definitivamente uma peça do maiô que ela vestiu por um bom tempo. Isso tudo levou a Warner a apostar em uma série de TV no ano de 1974.

A estreia do primeiro uniforme na TV foi bastante controversa, pois ela ficou completamente descaracterizada em comparação aos quadrinhos, com um vestido curto e uma legging azul que combinava com nova bota. Esse visual “mod” não agradou, e logo ela voltaria a ser a Diana que todos conhecemos.

A musa Lynda Carter ajudou a moldar de vez um rosto de referência contemporâneo para os desenhos da personagem. Com o sucesso em sua série de TV, ninguém mais passou a duvidar do apelo da personagem, que cravou de vez sua importância na DC Comics ao ser parte da Trindade, ao lado de Batman e Superman.

Mulher-Maravilha chega aos sexualizados anos 1990

Depois que Crise nas Infinitas Terras
deu uma “organizada na casa”, limpando inconsistências e criando um novo recomeço para muitos personagens, entre eles a Mulher-Maravilha. O problema é que nos anos 1990 o mercado mostrava fadiga criativa e desgaste de fórmulas repetidas à exaustão nas décadas anteriores.

Tanto a DC quanto a Marvel
pesaram a mão e mataram ou modificaram completamente personagens como o Lanterna Verde Hal Jordan, Batman, Superman, entre outros.

Além de mais violência, as novas histórias de Diana Prince abusavam de seu shortinho, em 1995, e de seu maiô muito menor e supercavado.

De 1995 até os anos 2000 Diana sofreu bastante com tramas que só serviam para exibir seus atributos físicos, como o bumbum, pernas bastante longas, decotezinho e uma nova faixa branca no centro da parte frontal.

Mulher-Maravilha dos Novos 52 aos dias atuais

Com a chegada dos anos 2010, com a chegada do reboot Novos 52

, a Mulher-Maravilha trocou completamente seu guarda-roupa, inicialmente vestindo uma legging coladinha na atualização a partir de um design criado pelo lendário desenhista Jim Lee. Os braceletes ganharam mais detalhes e o tecido de sua roupa passou a ser mais tridimensional e real.

Além disso, como o movimento feminista “Me Too” estava no auge, os editores preferiram cobrir melhor o corpo de Diana, até para afastar a personagem daquele visual sexualizado dos anos 1990. Só que esse uniforme não agradou tanto os fãs, e, assim, Jim Lee redesenhou o traje para evocar o clássico maiô, mas com alguns detalhes que posicionavam uma Mulher-Maravilha mais proativa e agressiva.

Se você está lendo essa matéria, então pode ter certeza que a DC notou que os leitores gostam de falar sobre os trajes de Diana. Assim, a partir de 2015 a Mulher-Maravilha ganhou diversas variações de uniforme, conforme a importância para a proteção ou de imponência como líder de batalha campal.

E desde Batman v Superman: A Origem da Justiça
, em 2016, Gal Gadot misturou de tudo um pouco, com um corpete ainda mais texturizado e os dois “W” dourados passaram a formar a silhueta de uma águia, enquanto seu cinto também destacou as linhas de seu quadril — sexy sem ser vulgar.

A saia ganhou um corte que remete aos designs greco-romanos, cobrindo de maneira inventiva o que fica por baixo; e as botas douradas passaram a parecer mais robustas. A galera gostou tanto desse visual que dá para dizer que é o oficial nos dias atuais.

Leia a matéria no Canaltech
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