segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Morre Peter Higgs, físico que previu nova partícula

Morre Peter Higgs, físico que previu nova partícula
Danielle Cassita

Morre Peter Higgs, físico que previu nova partícula

Peter Higgs, laureado com o prêmio nobel de Física, morreu nesta segunda-feira (8) aos 94 anos após enfrentar uma doença. O falecimento dele foi anunciado pela Universidade de Edimburgo, instituição em que foi professor por quase cinco décadas.

O diretor da universidade, Peter Mathieson, disse que “Peter Higgs foi uma pessoa extraordinária, um cientista verdadeiramente talentoso cuja visão e imaginação enriqueceram nosso conhecimento do mundo que nos cerca. “Seu trabalho pioneiro motivou milhares de cientistas, e seu legado continuará a inspirar muitos outros nas próximas gerações”, acrescentou.

Nascido na cidade de Newcastle-upon-Tyne, na Inglaterra, em 29 de maio de 1929, Peter Ware Higgs era filho de Thomas Ware Higgs, engenheiro de som da BBC, e de Gertrude Maude Higgs.


Participe do GRUPO CANALTECH OFERTAS no Telegram
e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

Ele cresceu em Bristol, e seu interesse pela física
nasceu quando começou a frequentar a escola Cotham Grammar — a mesma em que o físico britânico Paul Dirac estudou.

Dirac é considerado um dos pais da mecânica quântica
, que descreve as forças da natureza como se fossem um jogo de pega-pega entre os bósons, pequenos pacotes de energia. A teoria acabou se tornando aquela o impulsionou a prever a existência de uma nova partícula, que acabou levando o nome de Higgs.

Em 2013, Peter Higgs foi laureado com o Nobel de Física por seu trabalho revolucionário, que mostrou como o bóson contribui para manter o universo estruturado.

O trabalho dele ajudou os cientistas a entender como o Big Bang
criou o universo há 13,8 bilhões de anos; sem a massa dos bósons de Higgs, as partículas não iriam se agrupar para formar a matéria com que interagimos a todo momento.

O bóson de Higgs

De forma resumida, podemos dizer que Higgs elaborou a teoria de que deveria haver alguma partícula subatômica que explicaria como as outras, bem como as estrelas
e os planetas, têm massa. Para entender melhor, precisamos voltar algumas décadas no tempo.

Mais especificamente, voltemos para a década de 1970, quando pesquisadores usaram a teoria dos campos quânticos para estudar a força nuclear fraca (que está por trás do decaimento dos elementos ao transformar prótons em nêutrons).

A maior questão aqui é que as partículas da força fraca não deveriam ter massa — caso tivessem, elas quebrariam as leis da natureza, que devem ser as mesmas independentemente de quando são observadas. Só que os pesquisadores perceberam que a força fraca é tão forte em distâncias curtas, e tão fraca em interações a distâncias maiores, que suas partículas (os bósons) deveriam ter massa.

O trio de físicos Robert Brout, François Englert e Peter Higgs tentou resolver o problema propondo o campo de Higgs, um campo invisível e onipresente que estaria proporcionando massa às partículas. Mas ainda faltava algo para o mecanismo ser validado: eles precisavam observar o próprio Bóson de Higgs, porque ele indicaria a manifestação do campo.

Foi em 2012 que os cientistas na Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN) anunciaram que, com o Grande Colisor de Hádrons
, o bóson de Higgs foi finalmente encontrado. Ele e o físico teórico belga François Englert receberam o Nobel de Física com a descoberta.

Leia a matéria no Canaltech
.

Trending no Canaltech:



Fonte