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Inteligência Artificial e cultura de inovação: como elas se complementam?

Luiz Othero

Inteligência Artificial e cultura de inovação: como elas se complementam?

A discussão sobre Inteligência Artificial (IA), nos moldes em que acontece hoje, tornou-se, em grande parte, um debate obsoleto. Leitor, não se alarme, explico essa posição nos próximos parágrafos.

Durante muitos anos, principalmente na última década, muito se falou a respeito da necessária transformação digital, processo que basicamente se tornou compulsório para a grande maioria das empresas, independentemente de seu setor de atuação.

Nesse cenário, organizações que surfaram e se aproveitaram dessa onda puderam colher os benefícios que esperavam. Agora, em um cenário presente – sem esquecer do futuro –, é natural que essas companhias se sintam mais bem preparadas para absorver o que há de novo, mesmo que se trate de um contexto desafiador, que apresenta mudanças constantes o tempo todo.


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Uma nova perspectiva

Assim, se considerarmos essa perspectiva, já não nos é muito útil manter, em termos de conteúdo, os mesmos debates que tratam de Inteligência Artificial. Em primeiro lugar, a tecnologia
já nos mostrou a que veio e de que forma pode otimizar os processos operacionais das empresas – e, portanto, contribuir diretamente para o crescimento do negócio.

Em segundo, ferramentas baseadas em Inteligência Artificial não irão roubar o posto de trabalho de ninguém; pelo contrário, acabam por abrir novas oportunidades para os interessados – estes, sim, podem apresentar vantagens no mercado de trabalho.

Antiquadas, mesmo, são as empresas que apenas mantêm conversas, fóruns, grupos de discussão e webinars sobre IA. As interessadas no futuro estão buscando entender como implementá-la – e a importância de uma cultura organizacional focada em inovação, de modo que se possa obter êxito nesse processo.

Implementando IA: a necessidade de mudanças estruturais

Naturalmente, a implementação efetiva de Inteligência Artificial nas empresas não é uma tarefa simples. Por vários motivos. Antes de mais nada, é importante que organizações entendam essa mudança como estrutural em sua operação, e não apenas como um ponto auxiliar de seus processos.

E, apesar de representar um desafio – que deve ser percebido também como uma grande oportunidade –, já é possível observar que a questão tem ganhado mais relevância no mercado brasileiro.

De acordo com uma pesquisa global realizada pela IBM
, 41% das companhias brasileiras já haviam implementado a tecnologia ativamente em seus negócios em 2022, enquanto que 34% estavam explorando o seu uso. O estudo foi realizado com profissionais que contribuem para e tem influência na tomada de decisão de assuntos relacionados a TI em suas respectivas empresas.

Por outro lado, um levantamento realizado pela Cisco
em 2023 apresenta um cenário que esclarece a necessidade por mudanças: conforme o Índice de Preparação para Inteligência Artificial da Cisco, apenas 29% das empresas no Brasil estão totalmente preparadas para implantar e potencializar tecnologias baseadas em IA.

De acordo com os respondentes da pesquisa, essa realidade decorre da existência de lacunas consideráveis nos principais pilares que sustentam o negócio: estratégia, dados, infraestrutura, governança e talentos. Todos eles, de certa forma, relacionados à cultura organizacional.

Construindo e apoiando uma cultura de inovação

Em um mundo de rápidas transformações, o sucesso das empresas depende de sua capacidade de inovar constantemente, sobretudo no que diz respeito à criação de novas soluções que atendem às necessidades de seus clientes.

E, para que isso se torne uma realidade, não existe segredo. É essencial, antes de qualquer coisa, mudar. Mudar a percepção acerca de eventuais riscos, mudar a mentalidade, mudar o material dos pilares que dão sustentação ao negócio. Nesse sentido, é primordial, também, que o mercado abrace também uma mentalidade AI-first – assunto que trataremos com mais profundidade em um próximo artigo.

É isso, basicamente, que empresas inovadoras fazem: confiam em uma cultura de inovação para que possam lidar, efetivamente, com as rápidas transformações trazidas pelas tecnologias e com as necessidades dos clientes, também em constante mudança.

Culturas organizacionais constroem hábitos, e uma cultura de inovação torna habituais a colaboração e a experimentação, além de promover e valorizar, entre os colaboradores de uma empresa, o pensamento que fura a caixa.

Além disso, empresas que pensam diferente atraem profissionais que pensam diferente – e devem apostar na constante evolução e aprendizado de seus colaboradores, de modo que esses, também, acompanhem as transmutações da tecnologia e, consequentemente, do mercado.

Conclusão

Pode-se observar, desde o final da década passada, uma explosão na criação de soluções baseadas em IA para o mercado, desenvolvidas sobretudo por empreendedores que já enxergavam esse potencial de evolução da tecnologia – eu incluso, tanto como sócio da Predikta, quanto como fundador, mais recentemente, da AIMANA.

Anos atrás, dentre os desacreditados, parte deles entendia a inteligência artificial como uma ameaça; a outra parte a via como uma espuma que possivelmente se desmantelaria com o tempo.

Ao contrário do segundo grupo, o primeiro talvez não estivesse totalmente errado. A IA é uma ameaça, mas somente para aqueles que insistem em não vê-la como motor de inovação e desenvolvimento. Para os não obsoletos, é um mundo a ser desbravado.

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