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Imagem sobre evolução humana está errada

Fidel Forato

Imagem sobre evolução humana está errada

Na escola ou mesmo nas redes sociais, você já deve ter visto a imagem conhecida como “marcha do progresso” sobre a evolução humana. Existem inúmeras variações, mas, em comum, começam por um animal “primitivo” e curvado, como um macaco, que vai se tornando mais alto e ereto até culminar no
Homo sapiens

. Aqui, o homem é visto como o ápice e a criatura mais complexa e evoluída, o que não é verdade. O processo evolutivo é muito mais complexo.

Cientistas e evolucionistas criticam essa imagem da marcha do progresso por simplificar demais o processo de evolução
ao ponto de criar uma falsa ideia de que os organismos evoluem de forma contínua em direção à máxima complexidade e que há uma linha de chegada. Nesse caso, os humanos representam a “vitória”, enquanto as outras espécies são inferiores.

“A ênfase do progresso linear teve um impacto decisivo na compreensão pública da evolução, mas a imagem contradiz as concepções científicas modernas da evolução como complexa e ramificada”, avisa Gowan Dawson, professor da Universidade de Leicester e autor do livro recém-lançado Monkey to Man: The Evolution of the March of Progress Image
.


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Origem da imagem “marcha do progresso”

Antes de seguir, vale detalhar que essa imagem incorreta sobre a evolução humana circula há mais de 150 anos. Aparentemente, a primeira ilustração do tipo foi feita pelo artista inglês Benjamin Waterhouse Hawkins e publicada, em 1863, no livro Evidence as to Man’s Place in Nature
, do biólogo Thomas Henry Huxley.

Em 1965, a imagem da marcha do progresso foi disseminada em mais uma onda de “reconhecimento” público, com o lançamento de uma espécie de enciclopédia sobre a evolução humana. Aqui, ela foi ainda mais simplificada e a ideia do ponto de chegada ficou mais nítido.

Desde então, há uma infinidade de reproduções, cópias e até paródias, já que, nas imagens mais modernas, o homem teria voltado a retroceder e estaria novamente se curvando para usar o celular ou o computador.

Evolução não é linear

Além de Dawson, a dupla de cientistas Jordi Papas, professor da Universidade de Bristol, e Cristina Guijarro-Clarke, pesquisadora da Universidade de Essex, também defendem que a imagem popular é bastante imprecisa quando se pensa na evolução.

“Seria fácil presumir que a evolução funciona adicionando continuamente características aos organismos, aumentando constantemente a sua complexidade”, pontua a dupla artigo na plataforma The Conversation
.

No entanto, eles explicam que, durante a evolução inicial do Reino Animal, a adição de novos genes
foi a regra para o surgimento de novas espécies. No entanto, após esse período, diferentes espécies surgiram por causa da perda de alguns desses genes.

“As origens de grandes grupos de animais, como o que compreende os humanos, estão ligadas não à adição de novos genes, mas a perdas massivas de genes”, alegam os pesquisadores. Em outras palavras, há momentos de perda de complexidade genética.

Ainda cabe destacar que muitos ramos bem-sucedidos da árvore da vida permaneceram simples, como as bactérias. Isso não significa que o processo evolutivo é melhor ou pior que o humano.

Qual a melhor imagem para entender a evolução?

Para entender a evolução, que é bastante aleatória, é possível pensar em uma pessoa bêbada
que sai de um bar (ambiente confortável) e vai até o metrô (ambiente desafiador). Assim que esse organismo deixa o bar, ele é desajeitado e anda cambaleando (com baixa complexidade).

Às vezes, o bêbado poderá tropeçar aleatoriamente em direção aos trilhos do metrô e ficar preso ali (evoluindo de forma a aumentar a sua complexidade), mas, em outros momentos, ele poderá tentar voltar para o bar (reduzindo a complexidade).

“Nenhuma opção é melhor que a outra. Permanecer simples ou reduzir a complexidade pode ser melhor para a sobrevivência do que evoluir com maior complexidade, dependendo do ambiente”, explica a dupla de pesquisadores. Inclusive, as idas e voltas podem acontecer com um mesmo grupo ao longo da evolução, já que tudo dependerá de qual ambiente ela precisará sobreviver.

“Se nos concentrarmos apenas nos organismos presos nos trilhos, teremos uma percepção tendenciosa de que a vida evolui em linha reta do simples ao complexo, acreditando erroneamente que as formas de vida mais antigas são sempre simples e as mais novas são complexas”, pontuam os pesquisadores.

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.

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