Governo de MS amplia investimentos e leva energia, insumos e estrutura para fortalecer a agricultura familiar
Publicado em 19 mar 2026
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por Marcelo Armôa, Assessoria de Comunicação da Semadesc •
Na manhã desta quinta-feira (19), o Governo de Mato Grosso do Sul realizou, em Campo Grande, um conjunto articulado de entregas e anúncios voltados diretamente à agricultura familiar, segmento que reúne 71.232 produtores no Estado e ocupa papel estratégico na produção de alimentos, na geração de renda e na dinâmica econômica dos municípios. Desse total, cerca de 49% têm origem em políticas de acesso à terra e reforma agrária, o que reforça a necessidade de investimentos estruturantes para garantir competitividade, permanência no campo e inclusão produtiva.
As ações, coordenadas pela Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), agem de forma integrada em três dos principais gargalos enfrentados pelo produtor familiar: energia de qualidade, correção de solo e logística de produção. O pacote incluiu o lançamento do programa MS Trifásico, a assinatura da ordem de serviço do Pró-Fertiliza 2026 e a entrega simbólica de veículos e sistemas fotovoltaicos para projetos de extrativismo sustentável e agroflorestais.
Mais do que iniciativas isoladas, as medidas se conectam a uma estratégia mais ampla de desenvolvimento rural, voltada à modernização da produção, agregação de valor e fortalecimento das cadeias produtivas locais, com impactos diretos sobre o comércio, os serviços e a economia dos municípios de base agropecuária.
Infraestrutura energética como vetor de transformação
O principal anúncio do dia foi o lançamento do programa MS Trifásico, desenvolvido em parceria com a Energisa MS. A iniciativa prevê investimento estimado de R$ 172 milhões para implantação de aproximadamente 2 mil quilômetros de rede elétrica trifásica e instalação de cerca de 500 transformadores, beneficiando diretamente cerca de 15 mil produtores rurais, assentamentos e pequenos empreendedores.
A proposta vai além da ampliação da rede: trata-se de uma mudança de padrão energético no meio rural. A energia trifásica oferece maior potência, estabilidade e eficiência, permitindo o funcionamento adequado de equipamentos essenciais como sistemas de irrigação, motores, câmaras frias e estruturas de beneficiamento e armazenamento.
“Hoje damos um passo estratégico para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. O MS Trifásico é um investimento direto na competitividade do produtor rural, levando energia de qualidade para modernizar a produção, ampliar a irrigação e fortalecer a agroindústria. Com essa infraestrutura, criamos condições para aumentar a produtividade, gerar renda e atrair novos investimentos para o interior”, destacou o secretário Jaime Verruck, da Semadesc.
Para o diretor-presidente da Energisa MS, Paulo Roberto dos Santos, o programa também representa uma reestruturação da rede elétrica no meio rural, com impacto direto na capacidade produtiva. “O MS Trifásico reestrutura nossa rede, sobretudo nos assentamentos, onde a produção já é uma realidade. A energia trifásica amplia a capacidade de produção, permite a industrialização e a comercialização com mais qualidade. Além disso, garante uma rede mais estável e segura, com manutenção permanente, o que melhora a vida do produtor e fortalece a economia do Estado”, afirmou.
A execução do programa será realizada entre 2026 e 2028, sob coordenação estratégica do Governo do Estado e execução técnica da Energisa MS. Na primeira fase, ainda em 2026, serão investidos cerca de R$ 38,9 milhões, com atendimento a 2.582 clientes rurais e 25 assentamentos em municípios como Bonito, Dois Irmãos do Buriti, Dourados, Maracaju, Nioaque, Nova Alvorada do Sul e Rio Brilhante, com impacto direto estimado em mais de 7,7 mil pessoas.
Correção de solo e aumento de produtividade
Outra frente estruturante é o Programa Pró-Fertiliza, executado pela Agraer, que terá nova etapa em 2026 com investimento de R$ 5 milhões. A iniciativa garante o transporte gratuito de calcário e insumos para agricultores familiares, permitindo a correção da acidez do solo, um dos principais limitadores da produtividade agrícola.
A nova fase prevê atender cerca de 1,2 mil produtores, com a distribuição de mais de 12 mil toneladas de insumos. Na etapa anterior, entre 2022 e 2023, o programa alcançou 67 municípios, beneficiando 3,3 mil agricultores e viabilizando o transporte de quase 25 mil toneladas de calcário.
Para o diretor-presidente da Agraer, Fernando Nascimento, a continuidade do programa responde a uma demanda concreta do campo. “O Pró-Fertiliza chega onde o produtor mais precisa. A correção do solo é a base de tudo. Quando você melhora a qualidade da terra, você aumenta a produtividade, reduz custos e dá condições reais para que o agricultor familiar avance e se mantenha competitivo”, afirmou.
Política integrada e foco na permanência no campo
A secretária executiva de Agricultura Familiar, Povos Originários e Comunidades Tradicionais, Karla Nadai, destacou que as ações refletem uma política pública estruturada, construída a partir da escuta dos territórios. “Estamos trabalhando com uma visão integrada. Não adianta olhar apenas para a produção se não houver energia, solo adequado e condições de escoamento. Essas entregas dialogam diretamente com a realidade do agricultor familiar e criam condições para que ele produza mais, com qualidade, agregue valor e permaneça no campo com dignidade”, afirmou.
Segundo ela, o fortalecimento da agricultura familiar também tem impacto direto na segurança alimentar, na geração de renda local e na organização social das comunidades, especialmente em assentamentos e territórios tradicionais.
Logística e autonomia para o extrativismo sustentável
Complementando o conjunto de ações, o Governo do Estado realizou a entrega simbólica de veículos e sistemas fotovoltaicos para associações e cooperativas ligadas ao extrativismo sustentável e aos sistemas agroflorestais. Com investimento aproximado de R$ 968 mil, os equipamentos incluem veículos utilitários, caminhão com carroceria e unidades de geração de energia solar, ampliando a capacidade logística e a autonomia energética das organizações beneficiadas.
As entregas contemplam associações de Bonito, Dourados, Nioaque, Anastácio e Campo Grande, incluindo comunidades quilombolas e grupos organizados de mulheres, fortalecendo cadeias produtivas baseadas no uso sustentável da biodiversidade.
No Assentamento Monjolinho, em Anastácio, a agricultora Maria da Penha, liderança comunitária e referência na organização das mulheres rurais, sintetiza o impacto dessas políticas no cotidiano.
Com mais de 30 anos de atuação no assentamento, ela relata a trajetória de construção coletiva e os desafios enfrentados ao longo do tempo. “A gente aprendeu a produzir, a fazer pães, bolos, trabalhar com os frutos do Cerrado. Mas sempre teve dificuldade, principalmente com transporte e energia. Sem isso, a gente não consegue crescer. Muitas vezes perde produto, não consegue chegar no mercado como deveria”, conta.
Segundo ela, o acesso a equipamentos e estrutura pode representar uma virada para as famílias. “Hoje a gente já tem alguma estrutura, mas ainda falta o essencial para dar um salto maior. O transporte adequado, por exemplo, ajuda a manter a qualidade e vender melhor. Isso impacta diretamente na renda das mulheres que trabalham comigo. O que a gente quer é oportunidade para trabalhar e viver com dignidade”, finaliza.
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Fonte: Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação – SEMADESC








