quinta-feira, 9 de julho de 2026

Formas de vida poderiam viajar de carona em poeira cósmica

Formas de vida poderiam viajar de carona em poeira cósmica
Danielle Cassita

Formas de vida poderiam viajar de carona em poeira cósmica

Será que a vida surgiu de forma independente ou poderia se espalhar de um planeta para outro? Segundo um novo estudo do físico Z.N. Osmanov, os dois cenários podem estar corretos. Ele analisou a possibilidade de que partículas de poeira sejam as responsáveis por espalhar vida pela Via Láctea
e calculou o tempo que levaria para isso acontecer. Os resultados sugerem que não seria tão difícil que algo do tipo acontecesse.

Existem várias teorias que tentam explicar a origem da vida, e uma delas é a panspermia. De forma resumida, ela propõe que a vida poderia ser levada à Terra (ou a qualquer outro mundo), e uma das formas disso acontecer seria pegando “carona” em meteoritos, cometas ou asteroides
. Vários astrônomos já calcularam o tempo que levaria para pequenos organismos saírem de um planeta em partículas de poeira — de Marte para a Terra, por exemplo, seriam necessários apenas 20 dias.

Já Osmanov tentou calcular a dispersão destas formas de vida pela galáxia considerando que sobrevivam à viagem, e descobriu que o processo seria bastante viável, apesar das distâncias. “Consideramos as dinâmicas das partículas de poeira planetária ‘impulsionadas’ por planetas, e mostramos que, em 5 bilhões de anos, grãos de poeira podem viajar pelo meio interestelar a distâncias de algumas centenas de anos-luz”, concluiu.


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Ao considerar a densidade da distribuição estelar, o autor aponta que as partículas de poeira liberadas por um único planeta poderiam chegar a até 10⁵ sistemas estelares. Entretanto, ele observa também que as grandes nuvens moleculares (as mais densas nuvens no meio interestelar) poderiam reter estes grãos conforme viajam pela galáxia.

Além disso, o autor relembra também o Paradoxo de Fermi
, nome dado ao conflito entre a falta de evidências de vida alienígena e as chances (aparentemente) altas de que extraterrestres deveriam existir. “Analisando o problema no contexto da equação de Drake
, descobriu-se que o número mínimo de planetas na Via Láctea que desenvolveram vida deve ser da ordem de 3 × 10⁷, o que implica que toda a galáxia estará cheia de partículas de poeira com moléculas complexas”, observou.

Não podemos negar que os resultados e colocações do autor são interessantes. No entanto, vale ter cautela: ainda não se sabe a origem da vida na Terra
e menos ainda a frequência com o que é formada. Além disso, mesmo que existissem vários planetas com formas de vida primitivas, é provável que muitos deles sejam mais massivos que a Terra. Neste caso, será que as partículas de poeira conseguiriam escapar da gravidade destes mundos?

O artigo com os resultados do estudo foi publicado no repositório arXiv
, sem revisão de pares.

Leia a matéria no Canaltech
.

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