segunda-feira, 30 de março de 2026

Fabricante de pesticida enfrenta justiça por casos de Parkinson

Fabricante de pesticida enfrenta justiça por casos de Parkinson
Nathan Vieira

Fabricante de pesticida enfrenta justiça por casos de Parkinson

A empresa britânica Sygenta enfrenta ações judiciais por causa de um pesticida chamado Paraquat, por suposta relação com casos de Parkinson. No capítulo mais recente dessa história, a fabricante admitiu que durante os estudos para definir se havia relação com a condição, não checou se algum ex-trabalhador tinha a doença, apenas analisou causas de morte de seus ex-funcionários.

Como desdobramento do caso, a Charity Parkinson’s UK (uma instituição de caridade de pesquisa e apoio à doença de Parkinson
no Reino Unido) ressalta a necessidade de pesquisas mais robustas e independentes sobre qualquer ligação entre pesticidas
— o que inclui o paraquat — e a doença de Parkinson.

Ação judicial contra fabricante de pesticida

A ação judicial teve início com o agricultor Larry Wyles, de 80 anos, que utilizou o pesticida em suas terras por mais de 20 anos. Ele foi diagnosticado com Parkinson em 2002, e defende que a empresa em questão deveria ser proibida de fabricar o pesticida.


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A ação contou com o apoio de Julie Plumley, cujo pai era fazendeiro, também usava Paraquat e desenvolveu Parkinson ao longo dos anos.

Estudo sobre pesticida e Parkinson

Para escapar das acusações, a Syngenta conduziu um estudo com os trabalhadores envolvidos na fabricação de Paraquat. O acompanhamento se concentrou em dados de 2011 e 2021, e levou em consideração as causas de morte registradas nas certidões de óbito dos ex-funcionários.

Com base nessas informações, a empresa defendeu que não houve relação entre a substância produzida e o desenvolvimento de Parkinson, concluindo que não apresentou “nenhum risco aumentado de desenvolver a doença de Parkinson na força de trabalho que fabricou o Paraquat”.

Ao The Guardian
, um porta-voz da empresa enviou uma nota que diz o seguinte: “Nós nos preocupamos profundamente com a saúde e o bem-estar dos agricultores e estamos empenhados em fornecer produtos seguros e eficazes. Como empresa responsável, gastamos milhões de dólares testando nossos produtos para torná-los seguros para o uso pretendido.”

A Syngenta se defende ao dizer que nenhum estudo “estabeleceu uma ligação causal entre o Paraquat e a doença de Parkinson”, mas uma pesquisa mencionada no livro Ending Parkinson’s Disease
(2020) sugere que o Paraquat aumenta o risco de Parkinson em 150%.

Um relatório publicado no Jornal da USP
ressalta que o aumento do surgimento de Parkinson não está associado à exposição a altas doses, mas à exposição crônica em baixas doses.

Paraquat é proibido no Brasil

O material da USP relembra que o uso do pesticida Paraquat já é proibido em mais de 30 países, incluindo o Brasil: a substância foi proibida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2017.

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