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Cérebro de pipoca e o porquê de andarmos tão desatentos

Luciana Zaramela

Cérebro de pipoca e o porquê de andarmos tão desatentos

Pare um minuto o que você estiver fazendo e imagine-se na seguinte situação: você se senta ao computador para trabalhar e, a partir do momento que liga o sistema, já é notificado das coisas que precisa fazer no dia. Você lê as notícias, visita uma, duas ou mais redes sociais, acaba achando um vídeo interessante e, pouco tempo depois, lá está você com o celular na mão rolando inúmeros vídeos no TikTok
. Depois, bate aquela dificuldade de focar no trabalho.

Em questão de minutos, seu cérebro foi bombardeado com um sem-número de informações, anúncios, cores, notícias boas e más, fofocas e o que mais tiver direito. É tanto conteúdo disponível na ponta dos dedos que fica difícil dividir um tempo para se focar em cada um.

Essa dificuldade de concentração já está causando problemas no cérebro das pessoas que passam um bom tempo online, e os especialistas chamam esse fenômeno de “cérebro de pipoca”.


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Cérebro de pipoca não é algo novo

Cunhado em 2011 por David Levy, cientista da computação, professor e escritor especializado em prevenção da sobrecarga de informações, o termo é uma metáfora que lembra grãos de milho saltitando em uma panela: é como se nosso cérebro estivesse pulando de um lado para outro a fim de conseguir absorver milhares de informações em um curtíssimo período.

Nosso cérebro trabalha com um sistema de recompensas, e é exatamente nessa parte da fisiologia neural que agem os vídeos curtos, por exemplo. Em pouco tempo, você se vê preso em vídeos de gatinhos ronronando, submerso em barulhinhos de notificações no computador e no celular, mensagens no WhatsApp
, curtidas no Instagram
e tudo o que tiver direito — isso para não mencionar o trabalho.

O ritmo frenético da informação suga nossa atenção, que precisa pular de conteúdo para conteúdo, e tem causado uma exaustão mental nas pessoas, drenando sua capacidade de concentração
naquilo que realmente importa.

De acordo com a psicóloga Dannielle Haig, em entrevista à revista Glamour, do Reino Unido, a mania de ficar rolando a tela ad eternum
em busca de postagens cada vez mais interessantes torna-se um gatilho para liberação de microdoses de dopamina no cérebro
, o que ativa o sistema de recompensas e nos faz entrar, sem perceber, em um ciclo vicioso
(e perigoso).

“Com o tempo, essa constante demanda por atenção e a troca rápida entre uma tarefa e outra levam a um sentimento de cansaço mental, já que o cérebro vive lutando para manter o foco em uma tarefa só por um período maior
“, explica.

Cérebro de pipoca, pela ciência

E a ciência, claro, já vem investigando o que está por trás do fenômeno digital que nos engole a cada dia: segundo uma pesquisa conduzida pela Universidade da Califórnia em Irvine, a média de atenção dispensada online, antes de qualquer mudança para um conteúdo novo, diminuiu de 2,5 minutos em 2004 para 75 segundos em 2012. Hoje em dia, esse tempo gira em torno de apenas 47 segundos.

Com esses dados, podemos inferir que o excesso de informações e a busca constante por atenção na internet está afetando nosso desempenho cerebral. E o cérebro de pipoca pode impactar a vida das pessoas em vários aspectos, tornando-as mais impacientes, menos sociáveis, mais irritadas e menos produtivas. Aliás, é uma perigosa porta de entrada para desenvolver a síndrome de Burnout
.

Uma pesquisa encomendada pela OpenText e realizada pela 3Gem em 2022 mostra que quatro em cada cinco (79%) entrevistados no Brasil sentem que a sobrecarga de informações está contribuindo para o estresse diário. O resultado também aponta para a necessidade de busca por informações constantes, uso generalizado de mídias sociais e a grande variedade de aplicativos para serem verificados todos os dias como fatores que desencadearam esse sentimento.

Como tratar o cérebro de pipoca?

Agora que você sabe da existência desse fenômeno e de como ele pode impactar negativamente sua vida dentro e fora do mundo digital, deve estar se perguntando: como sair dessa? A boa notícia é que há solução. Para tanto, é necessário seguir alguns conselhos práticos, tais como:

  • Limitar o tempo de uso de telas e considerar um “detox digital” para descansar o cérebro;
  • Ter mais contato com a natureza, se possível diariamente;
  • Praticar atividade física e cuidar da saúde, com alimentação saudável;
  • Hidratar-se regularmente;
  • Apostar em atividades livres de tela, como música, arte, pintura, leitura e atividades ao ar livre;
  • Entender quais aplicativos mais drenam sua energia e desinstalá-los, nem que seja por um tempo;
  • Fazer pausas entre as tarefas
    que precisam ser feitas no computador, celular ou tablet.

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.

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