sábado, 29 de novembro de 2025

Vereadora Luiza lamenta chacina no Rio de Janeiro e denuncia política de extermínio nas favelas

A vereadora Luiza Ribeiro (PT), presidenta da Frente Parlamentar em Defesa das Favelas da Câmara Municipal de Campo Grande, lamentou as mortes registradas na megaoperação policial realizada no Complexo da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que já contabiliza mais de 130 mortos entre moradores e policiais.

O que o governador Cláudio Castro (PL) chamou de “a maior operação policial da história” é, na verdade, o episódio mais letal já registrado no estado, superando o massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, quando 111 detentos foram mortos pela Polícia Militar de São Paulo.

Luiza lamentou todas as vidas perdidas, mas afirmou que nenhuma política pública pode se sustentar sobre um banho de sangue.

“É impossível falar em segurança pública quando o resultado é dor, medo e extermínio. Nenhuma vida vale menos. Nenhum governo pode chamar de sucesso uma operação que deixa centenas de famílias em luto”, declarou a vereadora.

Para a vereadora Luiza Ribeiro, que também preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, a chamada Operação Contenção configura a maior violação de direitos humanos cometida pelo Estado brasileiro desde a redemocratização.

“O uso de força letal contra tantas pessoas em comunidades vulneráveis não pode ser naturalizado. É um episódio que exige resposta imediata e responsabilização das autoridades envolvidas”, afirmou.

Luiza ainda destacou que o aumento no número de fuzis apreendidos em operações policiais revela uma escalada preocupante no poder de fogo das facções criminosas e milícias, mas que essa realidade se agrava quando há conluio de políticos com o crime organizado.

“O caso do deputado estadual TH Joias, acusado de ligações com o Comando Vermelho e de usar seu cargo para intermediar negócios ilícitos, mostra como o tráfico de armas e a corrupção política se sobrepõem. Enquanto o Estado anuncia recordes de apreensões, figuras com acesso ao poder político atuam em conluio com as mesmas estruturas criminosas que deveriam combater”, afirmou a vereadora.

A parlamentar reforçou que o episódio evidencia uma crise estrutural na segurança pública e nas instituições democráticas.

“Essa sobreposição entre aparato estatal e submundo do crime mina a credibilidade das instituições, perpetua a impunidade e revela que a fronteira entre legalidade e criminalidade está cada vez mais difusa. A violência não pode ser resposta de Estado. Segurança pública de verdade se constrói com justiça, educação e dignidade, não com chacina”, concluiu Luiza.

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