quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Setor imobiliário pede que vereadores evitem alteração em IPTU sem passar pela Câmara

Vereador André Salineiro (PL) ouve entidades antes de votar mudanças no IPTU em Campo Grande

O vereador André Salineiro (PL) está ouvindo entidades do setor imobiliário, especialistas e representantes da sociedade civil sobre o projeto da Prefeitura de Campo Grande que altera regras de cobrança do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). O texto, enviado à Câmara Municipal, gerou preocupação entre técnicos e entidades, que apontam risco de insegurança jurídica caso o imposto possa ser reajustado por decreto, ou seja, sem passar por votação entre os vereadores.

Salineiro destacou que é papel do Legislativo ouvir a sociedade antes de deliberar sobre qualquer aumento de tributo. “Nós precisamos equilibrar a arrecadação sem sufocar famílias, sem desestimular o setor imobiliário e sem permitir arbitrariedades. Por isso, estou ouvindo com atenção todos os setores envolvidos antes da votação”, afirmou o parlamentar.

O advogado Tarcísio Faustino Barbosa, especialista em Direito Imobiliário, cita decisão do Supremo Tribunal Federal (Tema 741). “É inconstitucional a atualização da base de cálculo do IPTU por decreto, com fundamento na Planta Genérica de Valores, quando implique aumento real do tributo”, disse.

Segundo as entidades, a Constituição e a própria Reforma Tributária (Emenda Constitucional nº 132/2023) deixam claro que a lei municipal precisa definir previamente os critérios para atualização do IPTU. Dessa forma, só a correção monetária limitada à inflação poderia ser feita por decreto; qualquer aumento real deve passar pela Câmara Municipal.

*Correção* – A Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI) e outros representantes do setor sugeriram que a Câmara apresente uma emenda corretiva ao artigo 148-D para deixar essa regra clara.

A proposta de correção do valor venal acima da inflação inviabiliza negócios e empresas que estão chegando em Campo Grande vão procurar outros municípios, na avaliação da vice-presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Creci), Simone Leal.

“O setor imobiliário e da construção civil são a galinha dos ovos de ouro das cidades brasileiras. Quando respeitados, geram empregos, renda, habitação, arrecadação legítima e desenvolvimento urbano. Quando pressionados por excesso de tributos e insegurança jurídica, recuam e com ele recuam também os investimentos e o crescimento da cidade”, afirma Simone.

Com base nas manifestações, Salineiro reafirma que vai seguir defendendo os contribuintes e trabalhar para garantir segurança jurídica, na discussão e votação do projeto.

Outros detalhes e proposições de Salineiro podem ser conferidos no site https://legis.camara.ms.gov.br

camara.ms.gov.br