quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Lula defende fim da escala 6×1: “tecnologia otimiza a produtividade”

Enquanto o governo prepara um projeto de lei para acabar com a escala de trabalho 6 por 1, o presidente Lula defende mais tempo de vida a trabalhadores e trabalhadoras do país. Segundo ele, os avanços tecnológicos otimizam a produtividade.  

“Com os avanços tecnológicos que o Brasil teve, acha que é necessário as pessoas trabalharem na mesma jornada que trabalhavam há 40 anos atrás? Quem viveu no mundo do trabalho, como eu, sabe que hoje a juventude e as mulheres querem mais tempo para estudar, mais tempo para cuidar da família. O governo tem que estabelecer uma discussão com o Congresso Nacional, com o empresariado e com os trabalhadores, e fazer aquilo que é possível. O dado concreto é que está na hora da gente fazer uma mudança na jornada de trabalho deste país.”

A declaração foi feita durante entrevista ao canal UOL, nesta quinta-feira (5). Na conversa, o presidente também comentou o caso do Banco Master e confirmou ter recebido o dono do banco, Daniel Vorcaro. Lula relatou o que foi conversado e disse esperar encontrar os responsáveis pelo que chamou de “rombo”.   

“E ele então me contou que estava sofrendo uma perseguição, que tinha gente interessada em roubar ele, que não sei das contas e tal. O que eu disse para ele? Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica feita pelo Banco Central. Não me importa que envolva político, não me importa que envolva partido, não me importa que envolva banco. Quem tiver metido nisso vai ter que pagar o preço da irresponsabilidade de dar o rombo, talvez o maior rombo econômico da história deste país.”

Acompanhe a cobertura do Caso Master na Radioagência Nacional 📻. 

Além de outros assuntos, Lula confirmou a visita oficial aos Estados Unidos, prevista para março. Enquanto os Estados Unidos mantêm o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, na prisão, Lula afirmou que a principal preocupação é com a democracia no país vizinho, tema que pretende tratar com o presidente norte-americano, Donald Trump.

“A preocupação principal é o seguinte: há a possibilidade de a gente fortalecer a democracia na Venezuela e o povo da Venezuela, 8,4 milhões de pessoas que estão fora voltar para a Venezuela? Há condições de fazer com que a democracia seja efetivamente respeitada na Venezuela e o povo possa participar ativamente? O que está em jogo é se a gente vai melhorar a vida do povo ou não. O que está em jogo é se a Venezuela vai voltar a produzir 3,7 milhões de barril de petróleo por dia e não 700 como produz hoje.”

Outro assunto que o presidente Lula sinalizou que vai conversar com Trump é o Conselho de Paz, para o qual foi convidado pelo presidente norte-americano a fazer parte. O presidente disse que é contra o conselho tratar das questões da Venezuela. Ele defendeu que o foco esteja na reconstrução da Faixa de Gaza, com espaço para representação palestina.

“Se o Conselho for para cuidar de Gaza, o Brasil tem todo o interesse de participar. Agora, é muito estranho que você tenha um conselho e você não tenha um palestino na direção desse conselho. É muito estranho que a proposta que foi apresentada de reconstrução de Gaza é mais um resort do que reconstrução de Gaza. Eu quero saber quem é que vai reconstruir as casas, os hospitais que foram detonados, porque a vida de 75 mil mulheres e crianças não retornarão mais. O Brasil tem todo o interesse de participar, mas é preciso que os palestinos estejam na mesa.

Ouça também 🎧: Lula sugere a Trump que Conselho de Paz se limite à Faixa de Gaza

O presidente Lula afirmou ainda que pretende tratar com o governo norte-americano de temas como indústria, mineração, investimentos e exportações, mas reforçou que a soberania do Brasil é um assunto inegociável.
 



Fonte: Radioagência Nacional – EBC